A expectativa em torno da equipe de Tite é de um nível tal que só pode ser comparada à mágica seleção canarinho de 82

Se você tem menos de 42 anos, muito dificilmente vai se lembrar de qualquer resquício da Copa da Espanha. Muito menos que naquele 1982 o Brasil tinha uma seleção mágica. Era um time dos sonhos que só poderia ser comparado ao que se viu nos tempos de Pelé e seus companheiros de duas gerações: Garrincha, Didi, Tostão e Rivelino.

Foi uma seleção fantástica dirigida por Telê Santana, com os supercraques Zico, Sócrates e Falcão em seu auge, bem como Júnior, Leandro e Éder – também habilidosíssimos – em grande fase. Ninguém imaginava que perderíamos aquela Copa. Mas aconteceu, em um dia em que tudo deu certo para Paolo Rossi e para a Itália.

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O escrete canarinho que deixou o mundo maravilhado em 82: seleção mágica parada por uma Itália inspirada | Acervo CBF

Mas não é de 1982 que vamos falar – embora mereça um artigo só pra ela. É de 2018. Aliás, nenhum dos convocados por Tite havia sequer nascido naquele ano. Posso afirmar, sem qualquer temor, que é o conjunto de jogadores mais bem-preparados nesses 36 anos, se levarmos em conta o momento atual de cada um.

De 1986 a 2014, claro, continuamos a ter supercraques desfilando em Copas. Mas Zico já não era o mesmo em 1986; Romário não teve vaga em 1990, mas fez chover em 1994, com grande ajuda de Bebeto; em 1998, tivemos a convulsão de Ronaldo e, em 2002, sua redenção, juntamente com Rivaldo e um Ronaldinho Gaúcho ainda novo; em 2006, com os Ronaldos e mais Adriano e Kaká, o “quadrado mágico” de Carlos Alberto Parreira foi apático; em 2010, Kaká era a estrela solitária do perdido Dunga, que não levou o garoto Neymar; e em 2014, o menino do Santos já era a andorinha que não faria verão no destroçado time de Felipão.

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A seleção titular que estará em campo na Copa do Mundo da Rússia: maior expectativa das últimas décadas | Divulgação CBF

Agora, finalmente, em 2018, temos todos os elementos para crer que o Brasil pode voltar a juntar o talento de um supercraque (obviamente Neymar) com o grande momento de pelo menos mais sete jogadores: Alisson, Marcelo, Casemiro, Philippe Coutinho, Willian, Gabriel Jesus e Roberto Firmino.

Junte-se a isso um técnico que é talvez o mais estudioso e completo que o Brasil já teve: Tite é um sujeito “holístico”, que observa desde a produção em campo à idiossincrasia do jogador. Coordena uma força-tarefa que tem analistas de desempenho dos maiores clubes do Brasil, cada qual encarregado de lhe fornecer dados de uma das 31 seleções que vão ou podem cruzar o caminho do Brasil na Copa.

Futebol, como diz o frasista, é uma caixinha de surpresas. Mas, no fim – ou na final –, estão lá quase sempre Brasil, Alemanha, Argentina, Itália (ops, esta não desta vez). Fazer o que tem de ser feito da melhor forma é o atalho neste caminho. Junte-se isso a uma geração talentosa em seu auge e temos uma expectativa em um nível tal que só pode ser remontado, pré-estreia, à saudosa seleção canarinho de 82.

Alemanha sob desconfiança, Argentina sem rumo, Bélgica em busca de afirmação, Espanha com mudança repentina no comando técnico, França dependendo do individualismo. Não há hoje nenhuma seleção como a brasileira com tanta condição de levantar a Taça Fifa no dia 15 de julho. Há pedras no caminho, mas o hexa é por aí.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.