Eles estrearam juntos, contra a União Soviética. Naquele 15 de junho de 1958, Mané e o Rei jogaram um futebol que nunca foi esquecido por quem presenciou tudo

Com ambos atuando com a amarelinha, o Brasil nunca foi derrotado. Juntos, fizeram 55 gols e venceram 36 jogos de 40. A maior dupla que uma seleção já pôs em campo na história do futebol.

Pelé e Garrincha estrearam no mesmo dia em uma Copa do Mundo. Era o terceiro jogo do Mundial da Suécia, e o scratch canarinho – expressão bem típica da época – havia ganhado um (da Áustria, por 3 a 0) e empatado outro (sem gols, com a Inglaterra).

Mané x russos - Túnel do tempo: há 60 anos, Pelé e Garrincha assombravam o mundo pela 1ª vez em uma Copa
Garrincha entorta soviéticos em sua estreia em Copas: dia de sofrimento para os “joões” vermelhos | Reprodução

A questão é que esse dia histórico completa nesta data exatamente 60 anos. Em Gotemburgo, 16 de junho de 1958, o Brasil entrava em campo para enfrentar o adversário mais temido do Grupo 4: a União Soviética, que tinha fama de ter o futebol mais tecnológico da época, na qual se desenvolvera o mito sobre uma construção científica de seus atletas, robustos e altamente determinados.

Os russos também haviam vencido a Áustria e empatado com a Inglaterra. Era necessário força máxima para passar por aqueles cyborgs da guerra fria. O garoto Pelé (16 anos!) até então havia sido poupado, com problemas no joelho. E Garrincha, apesar da reconhecida habilidade, era tido como um imaturo para enfrentar uma Copa do Mundo pelo psicólogo da delegação, João Carvalhaes (ele pensava o mesmo de Pelé).

O técnico Vicente Feola escalou ambos, no lugar de Joel e Mazzola – o volante Zito também entraria naquele jogo, em lugar de Dino Sani, em más condições físicas. E deu a instrução fatal para Didi: “A primeira bola é do Mané.” A partir daí, o que se viu foi uma União Soviética atordoada com um endiabrado Garrincha, que fez de joões toda a zaga vermelha, especialmente seu marcador direto, Boris Kuznetsov, que foi jogado ao chão algumas vezes com seus dribles.

Pelé x russos - Túnel do tempo: há 60 anos, Pelé e Garrincha assombravam o mundo pela 1ª vez em uma Copa
Pelé (em pé) enfrenta a zaga soviética: assistência para Vavá e uma apresentação de gala do menino de 16 anos | Reprodução

Pelé também se destacava, e fez a tabela que resultou no segundo gol de Vavá, o único a marcar naquela partida. O 2 a 0 classificava o Brasil e embasbacava o mundo.

A começar do técnico russo. Na edição de 16 de junho, O Globo publicou uma declaração de Gavril Kachalin: “Estou assombrado com o jogo dos brasileiros. Nunca vi uma equipe atuar tão bem em minha vida. (…) Acredito que virão a ser os campeões. Meus comandados não puderam fazer nada contra esse conjunto maravilhoso”.

Na mesma matéria, Igor Netto, um dos melhores jogadores soviéticos, diz: “Eu não posso acreditar no que vi, hoje, em futebol. Desejo uma outra oportunidade para saber exatamente o que é isso. (…) É arte executada com os pés, mas idealizada previamente, com a cabeça. Eu nunca vi um team melhor em minha vida”.

Capa Globo 16 6 - Túnel do tempo: há 60 anos, Pelé e Garrincha assombravam o mundo pela 1ª vez em uma Copa
Capa do caderno de esportes de “O Globo” do dia seguinte à vitória sobre a União Soviética: destaque para Garrincha, nada de Pelé | Reprodução

Curiosamente, a capa de O Globo traz Garrincha em destaque e nada de Pelé. Compreensível: o jornal, carioca, dava destaque a um jogador do Botafogo. Mas o camisa 10 do Santos já seria chamado de “rei” pela primeira vez semanas mais tarde, pelos franceses.

Não dava para passar em branco esta data. O Estádio das Coisas reverencia aqui o primeiro encontro dos dois monstros sagrados do futebol na mais importante competição.

Cultura Acessória

Quer uma amostra do que foi aquele dia? Está aí um dos vídeos disponíveis na internet, com o sugestivo (e talvez bem adequado) título “Os 3 minutos mais incríveis da história do futebol”. Agrade-se!

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.