Era para ser apenas uma entrevista coletiva com um técnico de futebol. Logicamente, as abordagens seriam sobre táticas, escalação, adversário, entre outras coisas.

O Palmeiras tinha vencido o Bragantino naquela noite, mas seu treinador, Luiz Felipe Scolari, pentacampeão mundial com a seleção brasileira em 2002 – a qual também comandava no fatídico 7 a 1 sofrido para a Alemanha, diga-se –, foi perguntado sobre a tragédia com os garotos da base do Flamengo, em que dez deles morreram dentro de um contêiner que servia como alojamento, no Ninho do Urubu.

Então, a partir desse caminho que a entrevista tomou ali, Felipão acabou ele mesmo puxando o assunto para o acidente que matou Ricardo Boechat, um dos principais jornalistas do País. Ele revelou que, poucos dias antes, havia confessado em off, para a apresentadora Renata Fan – colega de Boechat na Band – ser um grande fã do apresentador e âncora.

E o que era uma simples coletiva virou um ato de confissão de arrependimento.

— É tão ruim quando a gente não se manifesta publicamente quando gosta de alguém e esse alguém vem a falecer, e a gente então tem de falar dessa forma. É muito ruim… por isso, fiquei mais chateado ainda [com a notícia da morte de Boechat], porque eu poderia ter dito publicamente que gostava muito dele. Hoje eu digo, mas para uma pessoa que aqui não está. Parece que falta alguma coisa.

Por fim, Felipão se solidarizou com a família e concluiu assim:

– É mais uma pessoa que nos ensina: se quisermos dizer alguma coisa para alguém, temos de falar mesmo, porque a vida vai nos levando e nos tirando daqui para outro mundo, sem que a gente coloque aqui que quer. É um sentimento que carrego hoje muito triste, embora a gente tenha conseguido uma vitória.

E o técnico com fama de durão terminou sua fala em forma de desabafo enxugando os olhos.

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