Um chute impressionante do meio da rua e Rafael Vaz – olha aí de novo ele – havia colocado o Goiás à frente do placar ainda na primeira metade da etapa inicial, diante de um dos favoritos ao título.

Apesar da fase ruim do Palmeiras, não se esperava que o primeiro tempo da partida terminasse 1 a 0 para o Verdão do Cerrado. Era bom demais pra ser verdade.

E realmente o resultado seria outro, não fosse o mais constante e importante jogador esmeraldino neste Brasileiro: o goleiro Tadeu. Duas defesas fundamentais que fizeram o placar não mexer mais nos primeiros 45 minutos.

Mas aos 7 minutos do segundo tempo, mais uma vez fazendo uma intervenção providencial, Tadeu tirou a bola da área do Goiás, mas sofreu aquele choque terrível com Zé Rafael. Cabeça com cabeça e ambos nocauteados na grama. O goleiro nem se mexia.

Uma cena que deixou quem a viu com o coração na mão. A reação de pânico dos jogadores e a entrada da ambulância só aumentaram a preocupação no estádio e fora dele, de quem assistia pela TV (e pôde ver o goleiro totalmente inerte no gramado por vários minutos).

Coração na mão também depois, porque, enquanto Tadeu saía de campo já de consciência recobrada, embora grogue, levava com ele a esperança de mais três pontos do Goiás. A pressão palmeirense diante da confusa zaga esmeraldina não encontraria mais o paredão dentro do gol.

Tadeu nocauteado - Tadeu se machuca – e o Goiás sai de ambulância com ele
Tadeu desacordado e preocupando companheiros e torcida: o choque com Zé Rafael mudou a história do jogo | Premiere / Reprodução

Seriam 40 minutos sem o melhor jogador de um time cujo outro destaque infelizmente não buscava o jogo coletivo – e, quando buscava, encontrava alguém que não fazia valer a pena aquele raro momento. Mesmo assim: pô, solta a bola, Michael!

O Palmeiras empatou, o que era esperado, com uma falha na linha defensiva, o que também era esperado.

Mas a expulsão de Lucas Lima, no fim do jogo, deu a ilusão de que o resultado estaria garantido ou mesmo que fosse possível buscar outro heroico 2 a 1.

No último minuto dos mais de dez minutos de acréscimo – necessários, sim, por causa da longa paralisação para o atendimento com a ambulância –, o Verde visitante chegou à vitória.

No lance, a prova da falta de planejamento: o goleiro Marcos saiu catando borboleta duas vezes dentro da área. A bola sobrou para Gustavo Scarpa, que já tinha dado o passe para o gol de empate de Willian.

Uma derrota muito dolorida. Não se pode perder essas chances, jogando em casa contra o Palmeiras e com um jogador a mais.

Uma afirmação que pode parecer contraditória, mas não é: Marcos falhou, mas não teve culpa no gol.

E a culpa é de quem, então? Se você reparou (se não, volte e releia, por favor), alguns parágrafos atrás está escrito “falta de planejamento”.

Ora, a culpa do gol não é de Marcos, mas de quem não colocou como opção no banco o melhor reserva para a posição, o qual claramente é Marcelo Rangel. O nome do responsável? Ney Franco. aquele que desconfiou de Marcos no jogo decisivo contra o Oeste pela Série B do ano passado, e o sacou para escalar um goleiro que nunca havia jogado pelo Goiás, Thiago Cardoso.

Se quiser avançar um pouco mais na caça às bruxas, pode incluir no pacote de culpados também a diretoria, que contrata e mantém jogadores que qualquer Olavo de Carvalho sabe que não serve para jogar uma Série A.

Como sempre na história esmeraldina, o acaso insiste em ajudar. Adversários mais fortes tropeçando, uma expulsão aqui, um gol improvável ali. Mas, apesar desse bem-vindo little help, o Goiás insiste em passar medo e raiva em seu torcedor. Oremos!

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Da série Detalhes Que Passariam Despercebidos (que acabo de inventar): pode-se falar o que quiser de Rafael Vaz, mas ele é daqueles camaradas com quem você pode contar. Desde o momento do choque terrível de Tadeu com Zé Rafael até a saída do goleiro na ambulância, o zagueiro esteve ao lado do companheiro de time (veja a foto no topo da página). O socorrista fechando a porta da viatura e ele pedindo a Tadeu para ficar tranquilo, que iria ficar tudo bem. Grande ser humano!

 * * * * *  Já esta lincolneana aqui até poderia ser da mesma série acima, só que negativamente falando – se no entanto o detalhe não tivesse sido realmente notado. Só que no jogo de sábado muita gente reparou nas vezes em que Marcelo Hermes deixou de dominar a bola ao receber passes pela lateral, em jogadas aparentemente simples. Jogador de Série A pode fazer isso vez ou outra, mas ter constância nesse tipo de erro não dá.

 * * * * *  A campanha de público zero é importante e não diminui o torcedor que a ela adere. É retrato da insatisfação da torcida não só com o perigoso momento atual, mas com o apequenamento do Goiás depois da ida à Libertadores, em 2006.

 * * * * *  Entretanto, não se pode dizer que a tática foi bem-sucedida, porque num jogo como o deste sábado haveria (como houve) um grande número de palmeirenses. A imagem que foi passada é de que a torcida do Palmeiras mandou no Serra Dourada, já que não se ouviam gritos dos esmeraldinos. Público zero, para funcionar, precisa ser contra adversários que não levem torcida.

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Aleixo vestindo a camisa do Goiás nos anos 70 e sendo homenageado em 2012: luto na Serrinha | Reprodução

 * * * * *  O ex-lateral Aleixo (foto), morreu neste domingo, aos 73 anos, em Goiânia. Ele participou da campanha do primeiro título estadual do Verdão, em 1966 e vestiu o manto verde do começo da década de 60 até 1971. O clube o relembrou em uma nota oficial. À família de Antônio Aleixo Junqueira, as condolências deste Blog.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.