Ter o sangue tipo A está ligado a um aumento de 50% na probabilidade de um paciente precisar de oxigênio ou usar um ventilador mecânico para tratar a doença, segundo descobriram pesquisadores alemães e noruegueses.

O trabalho – que está sendo analisado por pares e, portanto, ainda não está publicado em uma revista – é o mais recente a mostrar que pessoas com esse tipo de sangue específico podem ser mais suscetíveis à doença.

Porém, outros dois estudos semelhantes já foram realizados, na China e nos Estados Unidos, com resultados também parecidos.

Assim como nesse último, os resultados indicaram que pessoas com sangue tipo A são mais vulneráveis à doença do que aquelas com tipo O, o tipo sanguíneo mais comum.

No entanto, Andre Franke – professor de medicina molecular da Universidade de Kiel, na Alemanha, e principal autor do estudo – disse não ter certeza se é o grupo sanguíneo ou o marcador genético aquilo que determina alguém mais gravemente doente.

“Ainda não podemos separar se o grupo sanguíneo é o risco ou algumas variantes genéticas que estão ligadas aos grupos sanguíneos. Usando os grupos sanguíneos como ‘proxies’, estimamos uma proteção 50% maior para o [tipo sanguíneo] O e um risco 50% maior para [tipo sanguíneo] A ”, disse o professor Franke.

Os pesquisadores encontraram dois pontosloci, plural de locus – no genoma humano que estariam associados a um risco maior de insuficiência respiratória em pacientes contaminados pelo novo coronavírus.

Um ponto (locus) é o gene que determina o tipo de sangue.

Os pesquisadores coletaram amostras de sangue de 1.610 pacientes em hospitais da Itália e da Espanha que precisavam de oxigênio ou precisavam usar um ventilador. Eles extraíram o DNA e o escanearam usando uma técnica chamada genotipagem.

Eles então compararam esses achados a 2.205 doadores de sangue que não tinham covid-19. Então, analisaram o DNA dos pacientes do covid-19 para determinar se eles compartilhavam algum do mesmo código genético.

Já se sabe que a idade e comorbidades põem as pessoas sob um risco maior de caso severo de covid-19, mas geneticistas esperam que um teste de DNA possa identificar pacientes que precisarão de tratamento agressivo.

Descobrir por que certos genes podem aumentar as chances de uma forma grave também leva à criação de novos medicamentos.

“Pista” na epidemia de Sars

Durante a epidemia de Sars em 2003 – causada pelo coronavírus mais “familiar” ao covid-19 – os pesquisadores também descobriram que aqueles com sangue tipo A eram mais propensos a contrair a doença.

Mas os pesquisadores ainda não sabem ao certo por que existe um link.

Sakthi Vaiyapuri, professor da Universidade de Reading, na Inglaterra, não participou da pesquisa, mas acredita que diferentes grupos sanguíneos teriam anticorpos diferentes, que podem conferir proteção a algumas doenças, mas não a outras.

No entanto, ele deixa o alerta: “Mecanismos moleculares por trás dessa proteção ou suscetibilidade mediada por esse tipo de grupo sanguíneo para várias doenças ainda são pouco compreendidos”.

Com informações do jornal The Telegraph.


O portal Estádio das Coisas apoia as medidas
de isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus.
#FiqueEmCasa    #SeSairUseMáscara


COMENTÁRIOS




Estádio das Coisas
A arena para todos os debates