Uma das tarefas de quem trabalha com o espaço é “ficar de vigia” no que está acontecendo nos céus.

Embora a população fique geralmente alheia a isso, o monitoramento é constante e faz todo o sentido: é preciso estar atento a corpos celestes que porventura possam estar no caminho da Terra.

Pior, que possam estar a caminho da Terra – e estar, literalmente, numa rota de colisão com o planeta.

Por isso, antes de tudo, fique tranquilo: não há nenhum cometa ou asteroide com esse viés para breve ou nos próximos anos. Aquele “vem, meteoro!“, portanto, continua sendo força de expressão.

Mas uma astrônoma brasileira liderou a publicação de um artigo muito interessante para quem gostaria de saber como os terráqueos poderiam se defender de um eventual asteroide que estivesse a caminho.

O texto de Flaviane Venditti, do Observatório de Arecibo, da Universidade da Flórida Central (EUA) tem como título Dynamics of tethered asteroid systems to support planetary defense (em tradução livre para o português, seria algo como Dinâmica de sistemas de amarração de asteroides para apoiar a defesa do planeta).

No texto, a cientista brasileira propõe que, caso a Terra esteja ameaçada, seja criado um método para amarrar o corpo celeste a outro corpo espacial.

A ideia é uma metodologia assistida por corda para desviar um asteroide potencialmente perigoso conectando um asteroide menor, alterando o centro de massa do sistema e, consequentemente, movendo o objeto perigoso para uma órbita mais segura.

Obviamente, é um trabalho muito mais complexo do que o que poderia ser relatado em uma matéria jornalística. Mais do que isso, é algo que só poderia ser testado por simulação, ainda que em computadores de alta resolutividade e precisão.

Seria preciso “tomar de assalto” um outro asteroide nas proximidades da rocha alvo, para que um cabo gigante fosse preso nos dois corpos celestes. Da mesma forma, deveria ser construído um dispositivo inteligente para o lançamento deste cabo e uma nave de ataque para transportá-lo.

De toda a forma, é a alternativa a um método tido como mais convencional para o momento: um bombardeio do corpo celeste com armas nucleares.

É que o uso de dispositivos de carga atômica poderia fazer com que um asteroide se despedaçasse em diversos pedaços menores e que, ainda assim, pudesse seguir em direção à Terra e atingi-la – ou com seu corpo principal ou com fragmentos importantes.

Em abril, o asteroide 1998 OR2 chamou a atenção por ter passado “perto” da Terra. As aspas são para dizer que a distância foi de 6,3 milhões de quilômetros de nosso planeta – mais de 16 vezes a distância até a Lua. A não ser o pessoal da área, ninguém deu muita atenção.

Mas Flaviane alerta para a volta dele, em 2079, quando passará bem mais próximo – ou a cerca de quatro vezes a distância do planeta a seu satélite. “Por isso é importante conhecer sua órbita com precisão,” disse a astrônoma.


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