O histórico com Tite mostra que a seleção vai bem mesmo sem o maior craque, que precisa entender que sua função em campo não é a de salvador da pátria

Marcelo cruza, Roberto Firmino ajeita de cabeça, Gabriel Jesus tenta dominar e a bola sobra no jeito para Phillippe Coutinho tocar de bico e fazer o gol.

Foram 91 minutos de agonia, uma partida inteira, até esse lance tirar o peso. Mais do que isso, foi uma partida inteira com as jogadas girando em torno de Neymar e nada acontecendo. Não por ironia do destino, mas por sabedoria dele, a estrela maior não participou do momento decisivo da partida. Chegou até a fazer o segundo gol, uma cortesia de Douglas Costa, mas já estava tudo definido.

Mas qual foi a sabedoria do destino, naquele primeiro gol? Foi mostrar que, se o Brasil quiser ganhar esta Copa, vai precisar entender que Neymar é apenas mais um jogador. Alguém que compõe o elenco, mas que não é necessariamente imprescindível.

Mais grave: Neymar é uma figura nociva à equipe ao se portar em campo como fez hoje. Ao contrário do jogo com a Suíça, o camisa 10 não foi caçado em campo. Pelo contrário, caçou faltas, fazendo teatro de canastrão e inventando um pênalti que os recursos tecnológicos desmentiram. Mereceria o amarelo por esse lance ridículo.

Levou o amarelo, sim, logo depois, mas por socar a bola ao chão, reclamando acintosamente de uma falta. Se o árbitro entendesse português, teria oportunidade de expulsar a estrelinha pelo menos três vezes durante a partida. Isso sem falar de um lance em que Neymar fala, em inglês, para o juiz não tocá-lo(!). Além de cair o tempo todo, o craque – sim, isso não o deixa menos talentoso – reclamava e xingava seus adversários.

Neymar chora 300x169 - Se for para jogar com este Neymar aí, fica mais fácil ser campeão sem ele
Neimar desaba em campo e chora após o fim da partida: mais imaturidade do que emoção | Reprodução de vídeo

Um completo reizinho mimado que, para fechar o espetáculo, depois de seu gol, no fim da partida, desabou em campo para chorar. Chorou porque tirava um peso nas costas que nada tem a ver com pressão, mas, como demonstrou por seu comportamento durante o jogo, é reflexo de imaturidade pura mesmo. A cena final não comove porque demonstra muito mais essa falta de equilíbrio do que emoção.

Não é preciso nem entrar no mérito do exemplo para as crianças que o admiram, porque Neymar parece nem ter ideia de que representa alguma coisa nesse sentido. Entre elas e o cabelo, sabe-se claramente com que ele mais se preocupa.

O histórico da seleção brasileira com Tite mostra que ela vai bem, obtém bons resultados, mesmo sem Neymar. Mas então ele, com seu talento natural, não faz diferença? Claro que faz, desde que entenda que sua função em campo não é salvar a pátria. O restante do time precisa do craque que ele é não para resolver a parada, mas para ajudar a resolver.

Outro problema: Neymar precisa se dar conta que seu papel não pode ser comparado ao de Messi para a Argentina nem ao de Cristiano Ronaldo para Portugal. Messi precisaria de um time harmônico para ser seu maestro; CR7 sabe (e seus companheiros também) que precisa carregar sua seleção no colo. Já o Brasil tem um time muito competitivo mesmo sem Neymar, mas que pode ficar melhor com ele fazendo a coisa certa.

Garrinchando…

* * * * * Tinha me esquecido como é um processo de descerebração assistir ao jogo na Rede Globo com Galvão Bueno à frente do microfone. Porta-se como um torcedor, interfere nas opiniões alheias e quer colocar a própria na boca dos demais. Um horror.

* * * * * Arnaldo Cezar Coelho não fica atrás no papel de torcedor. Ver e rever o lance do suposto (e apenas isso) pênalti sobre Neymar e brigar com a imagem apenas para sustentar a opinião de que houve a falta é patético. A vergonha alheia é clara!

* * * * * Douglas Costa pode ter ganhado uma vaga no time titular com o desempenho nos minutos em que esteve em campo.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.