# Copa do Mundo da Rússia – 2018 – Dia 31 #

Não é sempre que a melhor seleção ganha a Copa do Mundo. Aliás, se fosse para prevalecer o ditado “que vença a melhor”, a Copa seria em pontos corridos. É em formato de mata-mata para justamente dar o frio na barriga e a incerteza nos favoritaços.

Esse tipo de mata-mata – que na verdade é só mata, pois que disputado em um jogo só – causa a chance de a Taça Fifa ir para um lugar em tese menos merecido, como ocorreu várias vezes com a sua antecessora, Jules Rimet, que terminou seus dias esquartejada e transformada em lingotes de ouro em algum lugar da Cidade Maravilhosa.

Entre os Mundiais que foram vencidos por uma seleção que não a reconhecida amplamente como a melhor do torneio estão os de 1950 (Uruguai/Brasil), 1954 (Alemanha/Hungria), 1974 (Alemanha/Holanda) e 1982 (Itália/Brasil).

As demais ou foram vencidas pela evidentemente melhor – como foi o Brasil em 1958 e 1970 e a Alemanha em 1990 – tiveram um vencedor que poderia ter sido outro: Inglaterra ou Alemanha (1966). É o caso, claro, da que se encerra neste domingo. Escrevo antes da final, mas tranquilamente é possível dizer: a campeã poderia ser a seleção que conquistou o 3º lugar, sem que isso fosse uma injustiça.

Belgica contra Inglaterra 528x300 - Rússia 2018, dia 31: a melhor seleção se despediu na véspera
Bélgica e sua ótima geração: a seleção mais técnica da Copa | Olga Maliseva/AFP/Getty Images

A Bélgica chegou a sua melhor colocação numa Copa vencendo a Inglaterra com total dominância. O placar de 2 a 0 não diz o que poderia ter sido o real. Talvez um 4 a 1 fosse o resultado justo. A belíssima jogada no segundo tempo e que Pickford esplendorosamente estragou (ou completou) com uma defesa antológica do chute de Meunier lembra exatamente uma espécie de remasterização de um quarto gol de um 4 a 1: o de Carlos Alberto Torres na final de 70.

Mais do que isso, os belgas se elevaram de prateleira no futebol mundial, coisa que o ranking da Fifa já mostra há anos. Mais do que isso ainda: fica, pelo jogo de hoje e pelo que demonstraram contra Brasil e a própria França, que poderiam estar na final como favoritos ao título.

Exagero? Não para quem se lembrar de como transcorreu a semifinal até o gol de Umtiti. Um gol originado de bola parada que, ao mexer no placar, fez a França executar com louvor o antijogo tático, fechando-se à la Suíça, prendendo a bola e até mesmo fazendo cera.

É do futebol. Por isso esse esporte fascina. Para mim, o time campeão deste ano entra na turma dos vencedores de decisões tanto faz, como especialmente observamos em 2006, entre Itália e França. A diferença é que a Bélgica bronzeada, com o futebol mais técnico desta Copa, poderia ter “voz” nessa discussão.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.