# Copa do Mundo da Rússia – 2018 – Dia 30 #

O que acontece na Copa não fica na Copa, ecoa por toda a eternidade!
Gol de Ghiggia 490x300 - Rússia 2018, dia 30: A Copa é pop, o pop não poupa ninguém
Barbosa cai junto à trave após o chute e o gol de Ghiggia, na final da Copa de 50 | Divulgação

Barbosa, nosso goleiraço de 50 que o diga! Nunca foi perdoado, pena maior que a máxima que existe no Brasil, por uma falha que nem todo mundo admite que foi realmente uma falha! Zico errou um pênalti, Maradona fez um gol com a mão (e por mais que no mesmo jogo tenha feito o gol mais lindo da história das Copas, só falam desse gol de mão), Ronaldo fez a Jornada do Herói para não entrar para a história como o cara que amarelou na final… Roberto Carlos? Ajeitou o meião. Felipe Melo? Bom…

O caso do Felipe Melo é muito semelhante ao do Neymar, com ambos aconteceu apenas o que SEMPRE acontece ao longo de suas respectivas carreiras: Felipe Melo foi expulso e prejudicou o time em momento de destempero. Neymar é um simulador contumaz e que provoca o ódio nos adversários, árbitros e torcedores.
Não me chama atenção essa campanha para tornar o Neymar o inimigo número 1 do futebol que é jogado na cabeça dos hipócritas. Me chama atenção que aparentemente só agora algumas pessoas DESCOBRIRAM que a maior “habilidade” do Neymar é a simulação! Desde 2010 o Neymar faz esse tipo de palhaçada e precisou que todos os holofotes estivessem voltados para a Rússia para o mundo descobrir que tipo de GENTE ele é.
Neymar é fruto de uma geração brasileira muito estranha, embora eu perceba que exista no brasileiro um descompasso entre o que o futebol realmente é e o que o brasileiro entende que ele seja. O futebol é um jogo coletivo, mas graças a uma habilidade inata descomunal produzida em série e um ser humano fora do normal, ganhamos mais títulos que os outros. Eu digo, com toda a segurança, que se não fosse pelo Pelé, a despeito dos inúmeros craques que tivemos, talvez a balança pendesse menos pro nosso lado.
Mas mesmo Pelé precisou de uma EQUIPE para brilhar em sua mais luminosa intensidade, que foi na Copa de 70, uma das poucas ocasiões em que o Brasil apresentou uma consistência coletiva. Eu não tenho dúvidas de que a mais impressionante equipe que o Brasil teve só foi tudo o que foi porque foi uma EQUIPE.
A outra ocasião em que vimos isso foi em 94. E ali, inclusive, ocorreu quase um crime de lesa-futebol moleque em que a gente até consentiu, de tão resignados que estávamos com essa coisa de “será que nunca mais vamos ganhar Copa de novo”? Mas mesmo ali, a mais apolínea e menos dionisíaca das Copas que ganhamos, aparece o Romário com seu marketing em prol do talento natural do brasileiro versus treino e acabamos desembocando na Geração Macunaíma! Ronaldo e Ronaldinho…
Me chamou muito a atenção na Copa de 2002, em meio à jornada da superação, Brasil caminhando para um antes jamais sonhado título, e o cara diz: “Estou feliz com meu desempenho, porque assim eu tenho certeza que vou voltar a ser o número 1 do mundo…” Em nenhum momento ele mencionou algo um pouco mais prosaico como, de repente, “estou feliz porque o Brasil vai ganhar a Copa”, ou coisa do tipo. Era a obsessão em ser o Número 1 do Mundo, essa esfinge cujos mistérios não revelados parecem devorar os meninos da vila, que às pedaladas ou rolando de dor fingida pelo chão, acreditam que chegarão lá.
No meio do caminho, tivemos Ronaldinho Gaúcho, que não fez esforço algum para isso. Penso nele como uma cana-de-açúcar que passa uma vez pelo moedor e se recusa a passar de novo, fiquem com o caldo que saiu que eu vou curtir a minha vida…
E quem teria coragem de dizer que ele está errado? Eu, claro, um sujeito totalmente desprovido de TALENTO natural, encho as latas em casa garrado no guatambu e não entendo como alguém pode simplesmente mandar alguns “no más” desse tipo. E os exemplos são muitos: Ronaldinho, Mano de Piedras Durán, Bjorn Borg… sobre o tenista sueco, foi dito que cansou de acertar todas as bolas e foi errar pela vida!
Curiosamente, os atuais recordistas de “Bolas de Ouro” são jogadores que não conseguiram brilhar numa Copa do Mundo e ainda assim, ninguém questiona sua soberania dividida (perdão pelo suposto paradoxo). E era justamente na Copa que o Moleque Mal Educado queria quebrar essa hegemonia. Tinha tudo para isso, sobretudo, mas muito principalmente, por estar no time certo, na Copa certa, com o técnico certo!
Mas deu tudo errado! E ele sente agora o gosto amargo de quem comete o crime inafiançável na Pachecoland: não ganhar uma Copa do Mundo! Virou chacota, piada pelo mundo. Xeleléus se esforçam em ainda dizer que a lógica de Dalí se aplica ao caso, “falem mal, mas falem de mim”, e que não existe marketing negativo. Fato é que ele sai da Copa muito, mas muito menor do que entrou.
E não são poucos os torcedores se questionando se o Brasil não estaria melhor sem ele. A minha resposta é um sonoro NÃO. Mas cabe ao senhor Adenor Tite ou quem quer que seja a pessoa no seu lugar para extrair do seu liderado o melhor que ele pode entregar. Para a equipe! Pois o futebol caminha para isso e, a não ser que ocorra uma tragédia de proporções atleticominêiricas, no domingo será consagrada a equipe que praticou um futebol tão coletivo, que deixou tudo no jeito para as individualidades brilharem!
Neymar, vira homem, passou da hora!

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS




Randall Neto
Randall tem 45 anos, é brasileiro sem orgulho nem preconceito, com algum amor, sim senhor. Tem dois filhos, torce pela Argentina e ainda acha que dá pra empatar o jogo contra a Itália de 82. Escreve sobre Copas do Mundo desde 2002.