# Copa do Mundo da Rússia – 2018 – dia 29 #

O Brasil está fora da Copa, não ficou nem para a disputa do 3º lugar (coisa mais melancólica que a Fifa inventou, já que nem Olimpíada é para que valha ao menos uma medalha de bronze).

Dessa forma, os brasileiros estão, em tese, sem “time” definido para torcer. Aqui o “em tese” valeria mesmo para o caso em que a seleção nacional ainda estivesse disputando: há vários compatriotas nada patriotas em termos futebolísticos, que torcem por outras e outros  tantos que estão na torcida fervorosa “do contra”.

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Torcida pela França: um país multiétnico, com uma seleção formada por jovens descendentes de africanos e com um claro futebol de resultados

Poderíamos, então, fazer uma discussão em torno do quanto é intrigante a questão do nacionalismo para determinar esse fato e dizer que o pachequismo será sempre algo pernicioso. Seria um brasileiro não torcedor da seleção brasileira menos patriota do que o brasileiro que veste a camisa da seleção até para ir a manifestações políticas? Há controvérsias.

Mas, deixando isso de lado, a final como se colocou mostra duas opções totalmente diferentes: de um lado uma seleção acostumada a grandes decisões, especialmente nos últimos anos, jovem e formada em sua maioria por imigrantes e filhos de imigrantes; do outro, a Croácia, que chega pela primeira vez a uma final de uma grande competição, com jogadores experientes, todos brancos e sob a sombra de uma guerra de fundo étnico que destroçou a antiga Iugoslávia.

Isso seria a opção olhando apenas para o lado de como se forma aquele time em relação ao contexto de seu país.

Outra forma de torcer é olhar simplesmente pela estética do futebol.

A França joga claramente um futebol de resultados: vai sair só na boa para então usar seus jogadores habilidosos e assertivos para conseguir o gol e, caso isso acontecer, se fechar mais ainda. Foi exatamente o que ocorreu na semifinal contra a Bélgica.

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Torcida pela Croácia: um país envolvido em uma guerra de fundo étnico recentemente, com um futebol clássico e mais parecido com o brasileiro

A Croácia é uma escola muito mais clássica de jogo. Toca bem a bola e usa seus atletas de técnica excelente para tentar abrir espaços na defesa adversária. Aproveita as brechas e erros para chegar ao gol. Foi exatamente o que ocorreu na semifinal contra a Inglaterra.

Resta agora torcer para uma delas, segundo suas crenças pessoais sobre o mundo e o futebol. Ou apenas desejar se entreter com um bom jogo. E aí, como fica para você?

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.