# Copa do Mundo da Rússia – 2018 – Dia 27 – Semifinais #

Gosto como os portugueses se referem à semifinal: “meia-final”! É mais forte que semi, tem um quê de “quase” e, nesta Copa da Rússia, foi bem isso o jogo entre França e Bélgica.

É claro que o vencedor de Inglaterra e Croácia pode aprontar pra cima da França, a gente está nessa de futebol há muito tempo e desde que o Paolo Rossi fez aqueles imperdoáveis três gols (com cortesia do Toninho Cerezo), eu não envolvo mais meu coração de fiador nesse negócio.

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Umtiti sai para comemorar seu gol, o único da França na vitória sobre a Bélgica | Getty Images

Mas, ainda assim, difícil demais não cravar a França como campeã.

Bicampeã!

Com todos os méritos, inclusive!

Mas antes de falar da França, ou do jogo que eu não vi, acho interessante falar de uma postura assaz interessante das “pessoas” depois do jogo: “Mas a Bélgica ganhou do Brasil PRA ISSO”?

É sério, ouvi isso mais de uma vez, de várias pessoas! A relação do brasileiro com o time de futebol que representa o País em Copa do Mundo precisa ser seriamente estudada, pois aparentemente, ao cometer a deselegância de ganhar da Seleção Canarinho, a Bélgica foi sub-rogada em algum direito que não consigo entender direito qual, mas que não permite perder para um time bom como o da França!

Talvez a Bélgica não tenha jogado bem, talvez a França tenha sido defensivamente mais eficaz que o Brasil, talvez sei lá, pirando aí numa ideia muito louca e correndo o risco de ser condenado às galés, tanto Bélgica como França FIZERAM UMA COPA MELHOR do que a do Brasil.

Será?

Jamais… foi azar, foi roubo descarado naquele pênalti no Menino Jesus, Menino Ney foi caçado e – a clássica – SE JOGARMOS 10 VEZES CONTRA ELES, GANHAMOS 9!

É sério, eu enjoei de ouvir essa frase cretina quando perdemos da Itália em 82 (e eu nunca superei) e sempre pensei: “Precisava ter perdido aquela que a gente tava torcendo tanto”?

A França de hoje é melhor que a de 98, a despeito de não ter um Zidane. Em comum, tem um centroavante horroroso como eram Dugarry e Guivarc’h, mas dessa vez ele faz parte da incrível inovação tática de 2018:

O centroavante que não faz gol!

Mas abre espaços, recompõe, assovia Asa Branca de trás pra frente, pega um reconhecimento de firma no cartório depois das 5 como só ele, limpa o vidro do aquário pros outros peixinhos brilharem, faz um ovo frito com a gema mole sem furar e desperta as mais irascíveis reações de ciúme no meu amigo que mora na Suíça. Esse é o Giroud, que o Arsenal fez muito bem em despachar para o Chelsea, mas que na França virou dono da posição e ninguém tasca.

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N’golo Kante abraça o técnico Deschamps após a França conquistar a vaga na final | TF-Images/Getty Images

Por outro lado, a França tem Mbappé e Griezmann, dois contra um pelo menos dá conversa. Tem um zagueiro no Real Madrid e outro no Barcelona, cada um fez o seu nesses mata-matas; tem laterais eficientes, tem um goleiro espetacular que inclusive tem TAMANHO de goleiro, tem Pogba, que ainda tá devendo e tem o melhor jogador da Copa: Kanté. Esse Biro-Biro que lembra o Ataliba, protege a bola como Rincón e concentra, em um só, todas as boas duplas de volantes que o Corinthians teve de 2000 pra cá é o sustentáculo dos gauleses!

Eu acho que ele é tão foda que Uderzo & Goscinny deveriam reescrever TODOS os episódios de Asterix só para inserir um personagem como o Kanté, pois, se existe uma razão para a Gália não ter sido inteiramente conquistada, é porque já naquela época Kanté estava chutando a bunda dos Romanos!

Deschamps (que aliás, se deixar o bigode e fizer umas trancinhas fica a cara do Asterix) deve olhar para o Kanté em campo, jogando na posição que ele próprio ocupava, e saber que não tem mais lugar na Melhor França de Todos os Tempos, pois Kanté vem fazer companhia a Tigana.

Allez les Bleus, le jour de gloire tá chegando!

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Randall Neto
Randall tem 45 anos, é brasileiro sem orgulho nem preconceito, com algum amor, sim senhor. Tem dois filhos, torce pela Argentina e ainda acha que dá pra empatar o jogo contra a Itália de 82. Escreve sobre Copas do Mundo desde 2002.