# Copa do Mundo da Rússia – 2018 – dia 26 #

O carnaval da bola está bem perto do fim. Depois de tanta festa, só restam quatro jogos. Na verdade, três e meio, porque ninguém dá muita bola para decisão de 3º lugar além de atacante querendo artilharia.

Tirando o gosto de cabo de guarda-chuva que vai ficando à medida em que a gente volta à realidade, resta a expectativa pelas partidas semifinais. Digamos que 80% para a desta terça-feira e 20% para a de quarta.

Isso porque, de cada cinco pessoas a quem você perguntar (só valem as que ainda estão ligadas na Copa, e que realmente são as que se interessam MESMO por futebol), quatro dirão que França x Bélgica será uma final antecipada.

De um lado tem Pobga, Griezmann e Mbappé; do outro, De Bruyne, Hazard e Lukaku. Seis jogadores que estariam, qualquer um deles, com vaga garantida na seleção brasileira – Tite que se virasse para encaixá-los com Neymar e Phillippe Coutinho.

França e Bélgica, pela vizinhança, pelo tamanho de cada país, pela proximidade linguística e de cultura, pela população etc. me lembra um Brasil x Uruguai, respectivamente falando. Sem a catimba, claro, nem mordidas no pescoço, nem quedas & gritos & rolamentos, creio.

Tem tudo para ser um jogaço, mas, justamente pela expectativa, há o medo de que as equipes estejam um tanto precavidas e troquem o showtime por um compasso de espera.

Apesar de usar a véspera para pensar em coisas assim, é uma aposta “do contra” que acho que não vai acontecer. Tem tudo para ser uma partida memorável e assim deverá ser.

Mais do que isso, será quase uma partida All Stars da Premier League: do lado francês, serão quatro (Lloris, Kanté, Pogba e Giroud) em campo que atuam na liga inglesa; entre os belgas, são nove (Courtois, Alderweireld, Vertonghen, Kompany, Chadli, Fellaini, De Bruyne, Hazard e Lukaku) jogadores!

belgica argentina 2014 - Rússia 2018, dia 26: à espera do Brasil x Uruguai à europeia. Vamo Uruguai!
Mirallas, Van Buyten, Witsel, Origi, Fellaini, De Bruyne e Alderweireld fazem barreira em cobrança de falta de Messi, nas quartas-de-final de 2014, em Brasília | Damir Sagolj / Reuters

De minha parte, há o envolvimento do coração. Sou Bélgica desde 2014, quando essa “Fantástica Geração Belga” fez sua primeira aparição e pude assistir sua despedida diante da Argentina de Messi em Brasília, numa partida sem graça com gol de Higuaín.

Nada menos que 10 dos 14 belgas que participaram daquela partida no Mané Garrincha vão começar jogando hoje (poderão ser 11, se Mertens for escalado, em vez de Boyata). Os garotos cresceram, tiraram o Brasil da Copa e jogam o futebol mais bonito desta Copa. Cinco jogos, cinco vitórias. Quatorze gols antes das semifinais, número entre os maiores da história dos mundiais até antes dessa etapa.

Motivos para torcer para a Bélgica? O ineditismo da conquista; o fato de terem vencido o Brasil (síndrome de Estocolmo inclusa); não terem escolhido (quando poderiam) o lado “fácil” da chegada à final, ao ganhar da Inglaterra da fase de grupos; a quantidade de descendentes de imigrantes (ok, empate técnico com a França); e a melhor representatividade do beautiful game possível entre os postulantes.

A Taça Fifa indo para Bruxelas será uma vitória da técnica, da organização e daqueles que olham para seu futebol de base com muito carinho. Quem sabe isso não sirva para o Brasil aprender, embora devesse ser professor nesse ofício.

Salve, De Bruyne! Allez les Diables! Allez la Belgique!

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.