# Copa do Mundo da Rússia – 2018 – Dia 23 – Quartas de Final #

Eu gosto dessa musiquinha do Leoni:

“Já tive carro e grana e um monte de não sei o que é bla bla bla…/ hoje eu só ando a pé, mas eu continuo a andar…”

Tem um quê de papinho e passação de pano pra quem anda fazendo merda, mas eu curto. Na verdade, curto o Leoni. Não fosse por nada, um cabôco que tem um risco no cabo da espingarda com o nome “Paula Toller” tem meu respeito e admiração.

Mas de qual tropeço estamos falando? Do 7 a  1 de quatro anos atrás? Na verdade, não, pois parece que ninguém nunca pareceu muito disposto a falar sobre isso. Também não se trata da falha clamorosa e grotesca do goleiro do Uruguai, que fica ainda mais clamorosa e grotesca se contraposta à defesa maravilhosa do Lloris um pouco antes!

O Uruguai me encanta, como me encantou a Argentina que aprendi a amar. Gozado que meu espírito palmeirense fez com que eu me apaixonasse pela albiceleste num período pós-Maradona e pré-Messi. Tempos de Simeone, de Verón, Redondo, Batistuta, Killy González, Ayala… Esse Uruguai, os caras que dão carrinho de cabeça, que vão na bola e não acreditam que tudo está perdido! Infelizmente, há um limite técnico imenso, ainda mais evidente quando o melhor jogador da seleção na Copa se machuca.

O Uruguai fez o que se espera: deu o que tinha. Deixou tudo na cancha. Como sempre!

O TROPEÇO a que me refiro no início do texto é representado pelo jogo da Bélgica contra o Japão. Um jogo horroroso, ridículo, onde o salto alto, a soberba e a arrogância quase colocaram todo um projeto a perder. E acho que, se existe algo a se aprender com um jogo como aquele, a Bélgica aprendeu!

gol belgica - Rússia 2018, dia 23: um tropeço ensina mais do que o sucesso
Alisson vê a bola entrar em seu gol depois do chute de Kevin de Bruyne | AFP / Getty Images

E o Brasil, mais uma vez, perdeu uma Copa do Mundo que tinha tudo pra ganhar em virtude da teimosia, da soberba e da arrogância de um técnico! Desde Telê Santana não via alguém com tamanha capacidade de interferir negativamente numa equipe como o Tite fez hoje (e na verdade, ao longo da Copa).

NADA justifica a presença do Gabriel Jesus, mas a PERMANÊNCIA dele após os primeiros 45 minutos foi um atestado de insanidade, típico de quem convocava Diego Souza, Diego do Flamengo, Rodrigo Caio, levou Taison pra Copa…

E o Fernandinho 7×1, que espetáculo, hein? Gol contra e tapete vermelho para o Bill Lukaku armar um contra-ataque DEPOIS DE UM REBOTE DE ESCANTEIO! Acho que desde o Maradona em 90, não via uma arrancada tão à vontade contra a gente, agravada pelo fato de que o Fernandinho 7×1 joga na mesma liga que o Bill Lukakão e sabe que esse é o tipo de jogada que ele cansa de fazer! Mas nesse gol, teve a imensa liberdade do De Bruyne, Marcelo “andando de fasto” e abrindo espaço para o arremate fatal e uma total falta de leitura de nossa parte do jogo da Bélgica.

Há quem diga que jogamos bem e demos azar. Fico a pensar… porque se o “demos azar” for um jeito diferente de se referir a tantos gols perdidos de forma quase inexplicável, ok. Mas de fato, tivemos muitas chances de gol, muito volume de jogo e o gol contra – aí sim – foi muito azar!

Acho que o Brasil veio “num crescendo” e depois do México, calçou o salto 15 e começou a dar risada ao falar da “Ótima Geração Belga”. Que é realmente muito boa! E jogou coletivamente, do jeito que precisa para que as individualidades possam brilhar! A despeito da defesa horrível e do volantão que lembra demais o Cerezo em tudo o que ele tinha de pior, do meio pra frente, o time é bacana!

E aí que a impressão de que o Brasil perdeu acaba sendo muito maior do que a de que a Bélgica ganhou!

E que esse tropeço de hoje sirva para o Tite, que deve e merece continuar o trabalho na Seleção, refletir sobre teimosias siderúrgicas.

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Randall Neto
Randall tem 45 anos, é brasileiro sem orgulho nem preconceito, com algum amor, sim senhor. Tem dois filhos, torce pela Argentina e ainda acha que dá pra empatar o jogo contra a Itália de 82. Escreve sobre Copas do Mundo desde 2002.