# Copa do Mundo da Rússia 2018 – dia 22 #

Não foi por acaso, mas por uma série de fatos que se sucederam: Alemanha eliminada, Argentina em frangalhos, Espanha acéfala, soberba e inoperante.

A verdade é que todas essas seleções teriam de estar do “lado de lá” agora, nas quartas-de-final da Copa, mas estão, de fato, do lado de fora dela.

Por “lado de lá” entenda-se a perna direita na projeção das chaves até a final, dia 15. Lá estão Rússia, Croácia, Inglaterra e Suécia. Uma delas incrivelmente vai estar em Moscou disputando a posse temporária da Taça Fifa por quatro anos.

O pessoal “do lado de cá”, porém, fez a tarefa de casa. Uruguai, França, Brasil e Bélgica cumpriram sua parte: confirmaram o 1º lugar na fase de grupos e venceram seus adversários nas oitavas, sem sequer precisar de pênaltis ou prorrogação.

Independentemente do que ocorrer nas partidas desta sexta-feira, anote aí que vai rolar um papo sério de “decisão antecipada” entre os dois vencedores “do lado de cá”, que farão entre si uma das partidas das semifinais.

Não importa quem vá seguir da outra perna, eles terão papel coadjuvante. Podem até ganhar o título, mas será desafiando a lógica da tradição e a soberba dos especialistas. Como eu, apesar de nem ser tão especialista assim.

Flamengo Zico 1987 533x300 - Rússia 2018, dia 22: como a Copa do Mundo acabou virando uma Copa União
Zico levanta a taça da Copa União, que deveria ter sido o tetra do Flamengo, mas não foi | Reprodução

Então isso me lembrou da cena do futebol brasileiro de 1987. Naquele ano, os 16 maiores times do País à época montaram uma liga (o Clube dos 13, ao que se juntaram mais 3) e criaram a Copa União. O campeão do torneio disputaria o troféu brasileiro com a competição organizada formalmente pela CBF, com equipes do segundo escalão nacional. No popular, o que seria hoje a Série B.

No fim, o Flamengo ganhou a liga, mas não entrou em campo para jogar contra o Sport Recife, o campeão da competição da CBF. E vem de lá a polêmica que segue até hoje, embora já decidida pela Justiça (no STF!) em favor do clube pernambucano.

Fica combinado então que daqui a pouco jogarão as seleções da Copa União. Para amanhã, ficam os “times” da CBF/Fifa. A diferença é que vão, sim, se enfrentar lá na frente. Quem sair da Copa União é o chamado “favoritaço”, mas vários destes já foram às lágrimas depois do jogo final de um Mundial – alô, Maracanã, Obdulio manda lembranças do céu!

O que fica em nós, plebeus do esporte-rei, é a ânsia por ver as grandes seleções entrarem em campo logo mais. O mordedor Suárez, o velocista Mbappé, o craque rolante Neymar, o gigante artilheiro Lukaku. Dois deles arrumarão as malas no fim do dia, o que será uma pena.

Do outro lado, fora um Kane ou um Modric, sobram competentes anônimos. Dois times pouco estrelados vão em frente. Vamos assistir também, mas com um sentimento de fastio e reticência àquela estética que deverá ser apresentada.

Falando na lata, o melhor seria Messi, Cristiano Ronaldo, Iniesta e até o zoeiro do Toni Kroos estarem ainda na brincadeira. Mas Copa é assim, até por não ser brincadeira.

E que não brinquem os grandões: ninguém sabe nem saberá nunca realmente qual teria sido o resultado de Flamengo x Sport em 87. Futebol é jogado, e tem de ser assim até o último minuto. Não é mesmo, Japão?

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.