# Copa do Mundo da Rússia – 2018 – Dia 15 #

Tudo indicava que o último dia da primeira fase não traria grandes emoções, mas talvez o olhar das pessoas estivesse no já definido grupo de Inglaterra e Bélgica, onde um dilema pairava sobre os times, no que diz respeito à motivação e vontade de vencer: quem ganhasse, pegaria um adversário mais fácil (o Japão), mas quem perdesse, teria (em tese) um adversário mais simples nas quartas-de-final.

Fato é que nenhum dos times demonstrou muita vontade de vencer, inclusive os reservas da Bélgica não demonstraram nada que pudesse botar uma pulga atrás da orelha do técnico, no sentido de fazer alguma modificação. Ainda que, mesmo nesse ritmo quelônico, tenha chegado aos 9 pontos e 100% de aproveitamento, indo fazer companhia a Uruguai e Croácia.

Não é nada, não é nada, é alguma coisa! Sim, senhor! Entrar em campo, buscar os 3 pontos em cada jogo e finalizar a 1ª fase assim significa alguma coisa. Mesmo que seja em um grupo fácil, como foi o da Bélgica (e não foram, necessariamente, os de Uruguai e Croácia).

Em que prateleira colocamos esses três times, então?

A Bélgica, para muitos, será (sic) “o primeiro teste de verdade” do Brasil rumo ao hexa, dando como favas contadas a vitória sobre o México. O Uruguai vai medir forças contra o Cristiano Ronaldo e seus asseclas, mas na verdade temos de respeitar as quatro estrelas da Celeste, seu conjunto, sua dupla letal e suas ambições compostas de uma justa medida de Engenharia Hawaiana, a coisa da cabeça nas nuvens e os pés no chão.

E a Croácia? Se tem um time cujo devido valor não está sendo dado é a esse pedaço da antiga Iugoslávia, que já alcançou semifinal de Copa do Mundo e que tem, em cada um dos supertimes da Espanha, um membro do meio de campo exercendo papel de destaque.

yerry mina - Rússia 2018, dia 15: finalmente, a hora da venda das garrafas vazias
Yerry Mina (centro) comemora seu segundo gol na Copa | Manan Vatsyayana/AFP

Mas vamos deixar isso para as oitavas, por enquanto ainda há algo a ser dito sobre a Colômbia, do craque James Rodríguez e do querido Yerry Mina (quanta saudade!). Dois gols em dois jogos, um portento nas jogadas de escanteio no ataque, as Torres Gêmeas dos Spurs transplantadas para o futebol e uma ressurreição digna de Copa do Mundo. Eu sou muito mais Colômbia do que Inglaterra e vejo que eles podem também ir além das quartas!

O fato que merece destaque é a ausência de uma seleção africana nas oitavas, algo que não ocorre desde 1982 e me parece coerente. Depois de um breve período de deslumbramento com “esses negros maravilhosos que veem tabelando” (apud ROBERTO, Luiz, narrador claustrofóbico no armário), de uma conversinha nível “meninos da vila com DNA do Santos” onde se dizia que a beleza do futebol africano era um futebol praticado com irresponsabilidade, relega-se o continente à sua própria insignificância futebolística.

Em nome de um bom-mocismo de comunistinha cheio de iogurte grego na geladeira e professando um bolchevismo Mucilon, muita gente esqueceu que o o poder da FIFA e toda a corrupção capitaneada por João Havelange têm origem na tal expansão do futebol no continente africano, mais vagas na Copa do Mundo e mumunhas quetais. Portanto, vejo com bons olhos esse cenário.

E, vislumbrando confrontos interessantíssimos daqui pra frente, encho o peito pra dizer:

AGORA É A HORA DE VER QUEM TEM MAIS GARRAFA VAZIA PRA VENDER!

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Randall Neto
Randall tem 45 anos, é brasileiro sem orgulho nem preconceito, com algum amor, sim senhor. Tem dois filhos, torce pela Argentina e ainda acha que dá pra empatar o jogo contra a Itália de 82. Escreve sobre Copas do Mundo desde 2002.