# Copa do Mundo da Rússia – 2018 – Dia 14 #

Incrível pensar que num dia de jogo do Brasil, outro fato merece mais relevância, mas eliminação da Alemanha, atual campeã mundial, precisa ser analisada de forma um pouco mais pormenorizada, porque não se trata de um time que chegou com algumas figuras principais contundidas (como a França, em 2002) ou um tanto envelhecida (Espanha de 2014 e Itália de 2010). A Alemanha era cotada como favorita e, como agravante, não estava num grupo muito difícil. Como agravante ainda maior, há que se ressaltar que, bastando vencer a Coreia do Sul, conseguiu PERDER!

A Alemanha hoje deu um vexame histórico!

Neuer lidera saida - Rússia 2018, dia 14: Alemanha e seu adeus que não deixa saudades
O goleiro Neuer lidera os derrotados alemães na saída do campo após o vexame ante os sul-coreanos | Get German Football News

E de verde, deu pra ver no Özil um pouco de Lucas Lima, no Timo Werner um claríssimo Deyverson, no Low um somatório de todas as antas que andaram sentando no banco de reservas nos últimos tempos e no Müller um Dudu mais bem aquinhoado verticalmente, igualmente chiliquento e inócuo. Toni Kroos, enfim, ocupa o merecido lugar de Toninho Cerezo, com quatro anos de atraso, quando deu uma entregada que o Higuaín não aproveitou. Errou contra a Suécia e hoje deu o passe para o gol bem “desanulado” pelo VAR.

Mas sobre a Alemanha, tenho outra “teoria”: que um resultado sobre uma equipe ruim e superestimada atrapalha a análise verdadeira. Me lembra o Brasil, que se intitulou favoritaço na Copa passada em virtude um 3 a 0 sobre a Espanha na final da Copa das Confederações – e, mesmo depois da Espanha ter sido eliminada PELO CHILE na 1ª fase, ninguém se tocou. Pois sobre a Alemanha, pairava a impressão de que havia feito uma Copa maravilhosa em 2014, em virtude apenas do 7 a 1. Esqueceram-se de que passou raspando pela França e teve de capinar sentado pra vencer a ARGÉLIA NA PRORROGAÇÃO!

A Alemanha chegou com vários que estão na terceira Copa e sem alguns que fizeram muita falta! E vai embora sem deixar saudades, até porque, “campanhas na Rússia” não são necessariamente o forte desse povo.

Nota para o México, que sei lá… eu vi o jogo do México contra a Alemanha, e a despeito do fato de a Alemanha ter se mostrado essa desgraça toda, jogou bem. Eu acho que começou querendo brincar de eliminar a Alemanha, pra ver os chucrutes tocando pandeiro no cu do gato, e desandou a maionese. Por muito pouco não saem da Copa e agora vão pegar o Brasil…

Que está encorpando!

Não é comum ver o Brasil ir crescendo numa Copa. Eu lembro de 82 e 86 ter sido nessa vibe, mas é bem mais comum ver o time entrar já classificado e não ter muito compromisso. Há que se falar do que aconteceu de bom, do que não foi tão legal e do que ainda não dá pra entender direito.

De bom foi a solidificação do esquema defensivo. Do goleiro-galã ao lateral esquerdo, com o auxílio luxuoso do sempre eficiente Casemiro, o Brasil demonstrou que não vai dar vida fácil para os atacantes adversários. Inclusive, a entrada do Filipe Luís, substituindo uma das estrelas da companhia, é algo a se louvar!

A contusão do Marcelo é algo péssimo! É o terceiro jogador que se contunde na Rússia. Levando em consideração que ele trouxe o Renataugusto vindo de lesão, o Fred lesionado e o Taison, vai rareando o número de jogadores que ele pode usar como opção. Existe algo a mais ou é só azar mesmo?

Não me agrada nem um pouco ver o Tite “prestigiando” quem vem jogando mal, como Gabriel Jesus e Willian, deixando de fora, sem sequer entrar no jogo, um Roberto Firmino em excelente fase e pedindo passagem. Mas técnico tem essas teimosias inexplicáveis. Paulinho também não vem bem, mas além de não ter no banco alguém que faça o que ele faz, o gol hoje pode ser considerado um tubo e tanto de oxigênio. Mas alguma coisa nas Copas acontece com esse rapaz. Sobre Willian, prefiro vê-lo jogando do jeito que sabe, que é como o Douglas Costa entrou e jogou contra a Costa Rica, do que como Romero/Jorge Henrique. Mas, se ele acaba irritando a torcida, causa arrepios de prazer no técnico, que ama de paixão um jogador que tem obediência tática.

A incógnita fica por conta do Neymar. Dizem que jogou a melhor partida dele na Copa, hoje. Eu discordo. Acho que ele errou praticamente tudo o que tentou, inclusive um gol que seria uma obra-prima, mas parece que hoje esteve querendo provar demais que não estava sendo individualista, não ia reclamar com a arbitragem, não ficaria rolando… me lembrou o Chulapa em 82, quando o jumento do Telê Santana, em sua estupidez siderúrgica, lutou tanto para tirar seu lado selvagem, que tirou junto o futebol dele. Eu até acho que assim, no caso do Neymar, pirando numa ideia muito louca e tendo um insight revolucionário, talvez seja possível jogar bem sem ser babaca. Mas se é pra escolher entre uma coisa e outra, prefiro ter no meu time um babaca que incomoda o adversário.

Ou talvez ele de fato esteja ainda precisando de tempo para ficar na ponta dos cascos e tá se guardando pra quando o carnaval chegar. Mesmo à meia bomba, incomoda mais que um Di Maria no esplendor da forma física. O lado bom disso é que o time já sacou que não precisa ficar “incensando o Buda” e que está jogando bem, sobretudo, mas muito principalmente, o Pequeno Couto.

Fato é que o Brasil não passou sobrando como Uruguai e Croácia, mas esteve longe do “pau da viola” que foi a Argentina – sem falar na debacle da Alemanha –, vai pegar uma molezinha nas oitavas e possivelmente só vai ser testado pela “Ótima Geração Belga” nas quartas. Vai ser um dia definitivo para quem gosta da conversa sobre “camisa pesada”.

E deve dar Brasil.

Ou alguém aí viu uma outra Seleção que, mesmo sem ter jogado o que dela se espera, não encontrou grandes dificuldades para seguir na competição?

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Randall Neto
Randall tem 45 anos, é brasileiro sem orgulho nem preconceito, com algum amor, sim senhor. Tem dois filhos, torce pela Argentina e ainda acha que dá pra empatar o jogo contra a Itália de 82. Escreve sobre Copas do Mundo desde 2002.