# Copa do Mundo da Rússia – 2018 – Dia 13 #

Tenho um amigo que vez por outra diz que gostaria de ter nascido na Bulgária, para poder ouvir Carinhoso em entender a letra. Dito assim, solto e sem contexto, alguém pode não entender. Por outro lado, indo de frente a esse belo raciocínio que só pode surgir em mesa de bar depois do 14º chope, tenho pena de outros países cujos idiomas não tenham uma expressão tão bela e definitiva quanto no pau da viola. “Passar, a Argentina passou, mas foi NO PAU DA VIOLA!”.

Nossos narradores deveriam incorporar mais expressões que nos identificam como raça e como gente, para humanizar e emocionar, à vera, o que acontece em campo!

Coisa de cinco dias atrás, eu me desfiz em pedaços aqui neste espaço, quase dando adeus à Argentina, sem saber que ainda era cedo… talvez exatamente por não ser argentino. O que não sou nem quero ser, faço questão de deixar claro: sou brasileiro e torço para a Argentina.

Maradona - Rússia 2018, dia 13: a volta dos que não foram
Maradona, polemizando novamente, celebra no estádio a classificação da Argentina | Reprodução Sportv

E pela primeira vez, em tantas Copas, não consegui ver o jogo, vida pra levar, desígnio a cumprir, enfim, todas as coisas que são infinitamente mais importantes do que um jogo de futebol. Ainda que seja um jogo de futebol com tamanha importância e carga dramática como parece ter sido esse! Deve ter sido tão legal que eu não quero ver os melhores momentos, quero apenas confiar no que me disseram.

Que Messi desencantou e fez um gol de Messi.

E… e, na verdade, de bom parece ter sido só isso mesmo, além do golaço do nosso defensor meia-boca. Ainda assim, um golaço! Ainda assim, avançamos! Ainda assim, não daremos vida fácil à França! E Messi, que pra mim é um chorinho do que vi com meus olhos de menino o Camisa 10 da Gávea fazer, seguirá! Ainda abaixo do que a gente espera dele, mas acima do que muitos jamais conseguirão.

Messi é o que importa, no final das contas. Não importa o comportamento deplorável do Maradona, que por razões desconhecidas desperta admiração de alguns. Não importa, mas não importa MESMO o grosso do Mascherano com a cara suja de sangue, pra aumentar ainda mais uma fama da qual deveríamos querer nos livrar. Porque temos o Messi! Porque tivemos um Maradona que driblou todo o time da Inglaterra pra fazer o gol mais fantástico da história das Copas – ainda que muitos prefiram falar do outro gol que teve nesse jogo! Porque tivemos Román Riquelme e Ossi Ardiles e El Matador Mário Kempes, tivemos os reflexos increíbles de Fillol, tivemos tanto… e parece que vez ou outra nos contentamos com um ídolo se comportando como um celerado e dando dedo do meio pros outros, ou um jogador que sequer deveria ter passado na porta de uma Copa do Mundo exibir orgulhoso a cara manchada de sangue!

Que Messi surja como o Índio de Caetano, impávido e infalível, nos revelando o óbvio, para que talvez, deixemos de lado essas coisas que, ao fim e ao cabo, não têm nada a ver com o futebol!

Deixemos a bola cair na coxa, ajeitar com a perna boa e finalizar com a “cega” que fala mais que a de muitos outros!

E nesse pique de me deixar levar, só penso nos versos do Pagão do Politeama para falar da minha Argentina: “Amo tanto e, de tanto amar, acho que ela é bonita…”

Por fim, que me desculpe a Croácia com seus 100% de aproveitamento, não sobra emoção para falar de vocês, e escrever sem emoção é coisa de escrevente ou cartorário.

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Randall Neto
Randall tem 45 anos, é brasileiro sem orgulho nem preconceito, com algum amor, sim senhor. Tem dois filhos, torce pela Argentina e ainda acha que dá pra empatar o jogo contra a Itália de 82. Escreve sobre Copas do Mundo desde 2002.