# Copa do Mundo da Rússia – 2018 – Dia 10 #

Acordar cedo para assistir à Bélgica jogar é um prazer. Não tem como gostar do futebol e não gostar desses caras jogando. É a Dinamáquina da vez e… justamente por isso tenho os dois pés atrás.

Romelu Lukaku, referência de gols do United; Drien Mertens, arma letal do Napoli; Kevin de Bruyne, o maestro do City; e Eden Hazard, o grande nome do Chelsea. E aí, para quem se maravilhou com aquele momento, não tem como não lembrar da seleção brasileira de 82 – guardadas as devidas proporções.

Falcão, Sócrates, Zico e Careca, que acabou se machucando e sendo cortado.  O trio restante, com auxílio de coadjuvantes como Leandro, Júnior, Serginho e Éder, fez uma Copa que fascinou quem a assistia… até parar na Itália, na tragédia de Sarriá.

E por que parou? Parou por quê? Pelo mesmo motivo que pode derrubar a Bélgica: a falta de uma defesa consistente. Em 82, o Brasil só não levou gol da Nova Zelândia. A Bélgica já gastou sua cota neozelandesa com o Panamá, na primeira rodada, e depois sofre dois da Tunísia. Tá ok, 5 a 2, mas luz amarela. Jogar e deixar jogar é ótimo para quem assiste sem maiores interesses além da plástica, mas torcedor belga terá de ter coração de bronze nesta Copa nas fases seguintes.

De qualquer forma, nesta Copa a Talentosa Geração Belga deixou finalmente de ser chamada assim com aquela ironia sebastianistas pelos críticos de plantão.

Toni Kroos nets a late winner against Sweden 300x202 - Rússia 2018, dia 10: a perigosa magia da Bélgica diante do efeito Sarriá
Toni Kroos e sua cobrança de falta magistral: ressuscitando a Alemanha | Reprodução

Mas falando de coração e emoção… E a Alemanha, hein? A bola de Toni Kroos no último minuto ressuscitou a única grande seleção do futebol mundial nunca eliminada na1ª fase.

No começo do segundo tempo, perdendo de 1 a 0, estava eliminada e se juntando às campeãs vítimas da Maldição da Fase de Grupos: França em 2002; Itália em 2010; Espanha em 2014.

E no último minuto do jogo, já empatado, os alemães estavam vendo os dois adversários que não conseguiram bater em seu grupo jogando entre si com um empate para classificar ambos. Desclassificação ainda latente.

Vem o gol de Kroos e, com os três pontos, a Alemanha passa a ter chances maiores do que seus rivais: basta golear a natimorta Coreia do Sul, o que, tenha certeza, vai acontecer.

Há uma chance muito alta, portanto, de ocorrer uma revanche dos 7 a 1. E é bom que seja assim. Não conseguiria vibrar com a eliminação da Alemanha. Seja pelo futebol técnico e bonito (sim, bonito!) de ver que aprenderam (sim, aprenderam) a jogar na última década, seja pela forma com que se tem se portado como nação, diante do recrudescimento dos extremismo e da intolerância, mostrando-se uma das nações mais hospitaleiras do mundo.

Claro, isso não tem a ver com futebol, muito menos com rivalidade. Claro, eles enfiaram um 7 a 1 na gente aqui, na nossa casa. Aqui é preciso nos lembramos de que o resultado foi muito mais culpa de nós mesmo, da desorganização em campo e da má preparação para a Copa que sediaríamos (em off, que ninguém nos leia, o 7 a 1 foi menos do que levaríamos se a Alemanha jogasse o segundo tempo com a mesma disposição. Agradeçamos).

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.