Passada a comemoração pelo acesso e de volta à competição a qual nunca deveria deixar de disputar, o Goiás precisa fazer valer o sacrifício dos últimos três anos e mostrar que aprendeu as lições necessárias nesse longo purgatório chamado Série B.

Assim como o pecador que de fato se converte, é preciso que o Verdão demonstre claramente – especialmente para sua torcida – que mudou a rota de sua vida e agora é um novo clube.

Para tanto, assim como fazem as empresas (e mais recentemente atletas e pessoas com carreiras permeadas pela competividade), é preciso estabelecer desde já o que se quer para o próximo ano (meta) e elaborar todo o planejamento exigido para atingi-la (estratégias).

Mas, então, o que o Goiás quer de 2019? Pode parecer óbvio, mas tenha certeza que não é.

Suponha que o desejo seja aparentemente modesto: permanecer na Série A, ou seja, alcançar o 16º lugar. É fácil, é pouco? Parece, mas não é.

Nos últimos quatro anos, pelo menos dois dos times que subiram da Série B voltaram para ela no ano seguinte. O Brasileirão de 2015, por exemplo, devolveu à Segundona três de seus integrantes do G-4 do ano anterior – como curiosidade, o Goiás foi o quarto condenado naquela temporada.

Alguns podem dizer que apenas ficar na Série A seria um objetivo de quem pensa pequeno ou que uma meta maior tornaria isso mais fácil. Pode ser, também, não tenho elementos para discordar.

A questão básica para mim é: o Goiás precisa estar na Série A em 2020. Seria uma catástrofe integrar pela sexta vez em menos de uma década uma segunda divisão, competição de que, até 2010, o clube havia participado por apenas três temporadas em 38 anos!

Resumindo: bater na elite e voltar para a B será assinar o atestado de apequenamento. Anos atrás, com os fiascos de 2009 e 2013, o Goiás perdeu a oportunidade de galgar à segunda prateleira do futebol nacional – aquele grupo de times que estão sempre incomodando os favoritos e beliscando uma vaga aqui ou ali na Libertadores. O Atlético Paranaense vem conseguindo isso, enquanto o Vasco, por exemplo, faz o caminho contrário.

Estamos agora no limite para não nos tornarmos uma equipe do quarto escalão, aquele que, além de não incomodar os grandes, fica mais tempo na companhia de times de Estados mais periféricos do futebol, como Alagoas, Mato Grosso e Pará, ou de times periféricos de Estados mais valorizados, como Guarani (SP), Boa Esporte (MG) e Londrina (PR).

Por isso tudo, o próximo ano será crucial para o Goiás Esporte Clube. É a hora de mostrar qual a trilha que seguirá na hierarquia do futebol brasileiro. E esmeraldino não nasceu com vocação para ioiô.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Incrível como a praga das fake news contaminou até mesmo o futebol. Nesta pós-temporada, com suas contratações, dispensas e renovações, está sendo um desafio saber o que é verdade ou mentira. Com as facilidades digitais, há muita montagem, inclusive prejudicando profissionais da imprensa. É para refletir.

 * * * * *  O sócio-torcedor do Goiás que foi fiel nos tempos duros de Série B precisa agora ter, para o próximo ano, alguma recompensa por parte do departamento de marketing (aliás, um dos setores mais competentes do clube atualmente). O Nação Esmeraldina vai se valorizar mais à medida que der mais valor a seus membros fiéis.

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS




Estádio das Coisas
A arena para todos os debates