Tenofovir. Este é o nome da droga que se tornou a nova esperança, na visão de cientistas brasileiros, para o combate à covid-19. A informação foi divulgada em reportagem do jornal Extra.

Originalmente, o antirretroviral é utilizado no tratamento de pessoas com portadoras do HIV.

O “nome completo” do medicamento é fumarato de tenofovir desoproxila. Em laboratório, os pesquisadores atestaram seu sucesso contra o coronavírus.

Em duas semanas devem ser iniciados os testes clínicos com doentes de covid-19, que serão realizados em parceria com o Hospital São José de Doenças Infecciosas, de Fortaleza. A instituição, do governo do Ceará, participa de estudos e se interessou pelo tenofovir.

O remédio deverá ter a fase de início de testes em pacientes com covid-19 de baixa e média gravidade, que poderiam ter o avanço da doença revertido por medicamentos. Não custa lembrar, entretanto, que muitas substâncias fracassam nessa etapa.

“Nenhuma dessas drogas de uso redirecionado é a solução. Mas, potencialmente, podem ajudar muito os doentes num momento em que não existe tratamento específico, vacina, e o Brasil já passa do meio milhão de infectados”, explica o professor Eurico Arruda, titular de Virologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto e um dos autores do estudo.

A ideia é realizar o experimento com pacientes que não evoluíram ainda para a fase da chamada “tempestade imunológica”, quando o ataque descontrolado do sistema de defesa se torna mais grave do que a ação do coronavírus em si.

Como funciona no organismo?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não selecionou o tenofovir como droga para testes em larga escala no mundo, mas o grupo de cientistas, de São Paulo, considera que sua composição o torna um aliado em potencial na luta contra a doença.

Mas como se dá essa “ajuda” do medicamento ao organismo do paciente?

Segundo Arruda, o tenofovir tem a capacidade de se ligar a um determinado trecho de uma proteína importante para o coronavírus se multiplicar nas células humanas infectadas.

O trabalho começou quando o pesquisador Norberto Lopes, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP de Ribeirão Preto, viu que a estrutura química do tenofovir o tornava promissor contra o Sars-CoV-2.

Ele estuda há anos formas de baratear a síntese de antirretrovirais usados no tratamento da aids e conhece bem a estrutura da substância, e trabalhou no projeto em associação com Giuliano Clososki, da mesma faculdade.

Arruda e Luis Lamberti da Silva, que também é da Faculdade de Medicina, testaram a droga contra Sars-CoV-2 em cultura e verificaram que o tenofovir inibia a produção de vírus, por emperrar o mecanismo de multiplicação do coronavírus.

Emperrado, sua replicação fica ineficiente, e a infecção não vai adiante. Em cultura de células, a droga conteve o causador da covid-19, e o passo seguinte é descobrir se o sucesso no laboratório se repete em pacientes.

Será testado tanto o tenofovir sozinho quanto em combinação com outro antirretroviral, a entricitabina. Os dois atuam juntos no coquetel antiaids.

Com informações do jornal Extra.


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