Semana passada, antes do clássico, recebi diariamente no meu whatsapp, dos meus amigos esmeraldinos, provocações das mais variadas. Fotos, memes, vídeos no estádio cantando que éramos fregueses, histórico do clássico, tabela do campeonato (tiveram 87 rodadas pra fazer isso, porque só agora?), entre outras coisas.

Aguentei tudo calado, afinal meu time estava numa draga danada e não tinha como retrucar. E nós, vilanovenses de nobre estirpe, sabemos muito bem como eles funcionam: quando o time tá mal, ninguém gosta de futebol, futebol tá chato, futebol goiano é fraco e vou torcer só pelo meu São Paulo mesmo.

Eles hibernam.

O time tá indo bem? Somos os melhores, nem Real Madrid ganha, somos os maiorais, os fodões, enchemos o estádio com ingresso-picolé.

Mas aí os deuses do futebol sempre dão um jeito de fazer justiça com os próprios pés. E o resto da história todos nós já SAB3MOS.

Foi a minha redenção. Foi o meu momento, e de vários vilanovenses, de ir à forra. Devolvi tudo na mesma moeda e com juros. Bati forte nos amigos moxés que me provocaram a semana toda, assumo. E foi merecido. Só que eles, envoltos em sua arrogância, apelaram feio. Não só meus amigos como uma a grande maioria nas redes sociais. Todos eles. TO-DOS, dois dias após o jogo ainda procuravam um argumento para mostrar ao mundo que eles são seres superiores de outra galáxia.

Mas, espera aí um instante. Nós podemos aguentar a zoação calado e vocês não? Podemos aguentar provocação e vocês não? Ahhh claro, esqueci que são seres supremos. Devo me ajoelhar e pedir desculpas?

Nossos rivais sempre acham que salto alto ganha jogo. Que camisa da Puma ganha jogo. Que CT bonitinho com florzinhas thutchuquinhas ganha jogo. E quando acontece o revés, quando são contrariados, agem como meninos mimados criados em condomínios fechados. Se jogam no chão e dão birra.

Mesmo tomando uma surra tática e técnica, ainda ficam arrotando arrogância. Torcida e jogadores. Não aceitam assumir que o baque foi grande. Não aceitam serem menosprezados pelo time do povo, pela plebe rude.

“Quem eles acham que são para humilhar a gente assim?”. “Quem é Alan Mineiro?”. Amigo, se mesmo após o jogo você ainda não conseguiu identificá-lo, só lamento, você é muito ruim. “O Fortaleza não será o campeão”. Por que, meu queridão? Pode desenhar? Eles não são dignos de tal honraria? Você tirou esse poder da adivinhação de onde?

Menos, né, bem menos moxezada. Cultivem um pouco de humildade. E aprendam que futebol é feito de zoação para os dois lados. Só vocês zoando não é justo nem legal para com os amigos. Então vou repetir o que escrevi no primeiro texto aqui no Estádio das Coisas: “Cá estamos nós, prontos para a zoeira. The zoeira never ends. Porque futebol sem zoação não é futebol. É bocha. Ou golfe. Ou qualquer-outro-esporte-chato tipo vôlei. Zoar faz parte, galera, mas tudo dentro do limite e mantendo o respeito, que é bom e todo mundo gosta.”

Mas quer saber? Que se danem. Podem apelar porque não vou ficar mimando marmanjo. Fiquem aí emburradinhos vendo quem manda por essas bandas agora. Aceita que dói menos. E, como sou bonzinho, podem discordar e reclamar aí nos comentários à vontade.

Afinal, o freguês sempre tem razão.

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Anderson Milhomem
Anderson Milhomem, 47 anos, publicitário, diretor de arte que tem o design como inspiração, a escrita como paixão e o Vila Nova como religião. Deus no céu e Bé na terra. Amém. @anderson_milhomem