O Verdão faz uma sequência de jogos fora, mas é bom até para parar e refletir sobre o papel de torcedor.

Antes, vamos pontuar: é bem possível que o Goiás tenha os dirigentes mais conservadores do Brasil, em todos os sentidos. É a síndrome do avarento, que, por se apegar àquilo que possui, com medo de perdê-lo, anula seu potencial para possuir muito mais.

Assim, dando dois passos à frente e um para trás, vamos ficando longe de clubes que não temem uma caminhada firme e sempre avante, como o Athletico Paranaense. Poderia chamar isso de falta de agilidade administrativa, mas acho que deve ter outros nomes. Isso frustra a torcida, obviamente. Creio que certa amargura esmeraldina venha daí.

Noves fora os serrinhistas, em termos de torcida temos de fazer um mea-culpa também. Talvez por conta do DNA palmeirense, talvez pelos anos de espera por uma conquista importante, vamos além da exigência natural e nos tornamos chatos pra caramba ali do alto da arquibancada.

O que, claro, também transborda hoje em dia para as redes sociais.

Bruno Henriquee 590x393 450x300 - Pra ficar na Série A, a arquibancada precisa jogar junto
Hoje titular absoluto no Flamengo, Bruno Henrique foi ridicularizado várias vezes pela torcida quando esteve no Goiás: erramos? | Rosiron Rodrigues / Goiás EC

Eu me incluo. Muitas vezes, embora não exatamente aqui neste Blog, já julguei jogadores de forma prematura e colaborei também no achincalhamento virtual de alguns nomes. Lembro-me de criticar duramente bons atletas no começo da carreira, como o hoje virtual ex-jogador Danilo, o meia Thiago Mendes (nova contratação do Lyon) e Bruno Henrique, num passado mais recente.

Não que seja a mesma coisa, mas isso me leva a pôr tudo na balança e ficar muito mais cauteloso quanto a manifestações negativas como as de domingo, no empate com o Atlético Mineiro: não posso concordar com as vaias direcionadas para Marlone e as críticas a Michael no pós-jogo.

Admitamos: a torcida do Goiás somos mesmo chatos “por demais”, como diriam aqueles personagens das novelas da Globo no Nordeste.

Claro, esmeraldinos querem o Goiás sempre melhor. E, neste momento e nesta conjuntura, querem que o time aja e reaja como algo que definitivamente ele não é.

O Goiás que vejo em campo é esforçado taticamente, mas limitado tecnicamente. Vai ser assim até o fim do ano, então é bom que a torcida se acostume a ver o que pode ser melhorado e aceitar o que não tem como mudar.

Embora seja um jogador que realmente possa render mais, as vaias a Marlone sempre que este tocava na bola são inconcebíveis. Não só pelo jogador em si (que, estando abaixo do esperado, certamente não vai conseguir melhorar o rendimento sendo hostilizado), mas pelo conjunto da equipe.

É que jogadores “compram” a briga pelo colega. Isso acaba por criar uma atmosfera ruim, e isso é exatamente o que não precisamos para chegar ao objetivo primordial neste Brasileiro. Se precisa falar qual é, eu digo: não voltar à Série B, passar longe do perigo de rebaixamento.

É preciso, como houve no ano passado nos jogos do Estádio Olímpico, estabelecer uma interação positiva entre campo e arquibancada.

E Michael, contestado pela torcida e ao mesmo tempo eleito melhor da partida por parte da mídia? É com certeza o jogador mais talentoso do elenco. Lembra Araújo no início da carreira, alternando bons e maus momentos, lindas jogadas e finalizações sofríveis. Pode ainda se aprimorar e traçar um caminho sólido no futebol, além de render mais uns vinténs aos cofres da Serrinha. Não dá é para achar que ele vai resolver todo jogo.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Depois de passar tanto tempo sem empatar, o Goiás não só fez isso duas vezes seguidas, como também engatou o segundo 0 a 0 consecutivo.

 * * * * *  Aprovadíssima a cor do novo uniforme número 1. É o genuíno verde-esmeralda histórico do clube. Que essa tonalidade não mude mais, pelo bem da tradição.

 * * * * *  Por outro lado, por que voltar com o escudo antigo, o G com textão? Por que não voltar de vez ao G solitário com o círculo ao redor, que é a marca já adotada nas mídias e nos placares da TV?

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.