Não dá para ir contra a corrente. Não dá para deixar de querer ver seguir a beleza do futebol. Entre hermanos e franceses, vou de Messi

Já torci demais contra a Argentina. Lembro-me o tanto que fiquei feliz com aquele golaço do Bergkamp em 1998, mandando os Hermanos embora para casa tão cedo.

Mas também já torci por eles. Como não fazer isso em 1986, quando Maradona maravilhava o mundo naquela Copa?

Contra a França, a Argentina será o jacaré da história. E eu costumo geralmente ir contra o Tarzan. Não vai ser diferente.

Mas se o Tarzan merece, por que não? Será o caso de Bélgica x Japão, na segunda-feira. Não tem como torcer contra um futebol tão bonito.

É aqui que está a questão, para quem gosta mais de futebol do que de um patriotismo um tanto infantil, que às vezes nos joga contra quem somos mais próximos de uma forma tão insana: o bonito do esporte é vê-lo desempenhado em sua plenitude.

cruijff 450x300 - Por que vou torcer para a Argentina com toda a convicção
Johan Cruijff em ação pela Holanda: como torcer contra um time que tenha craques assim? | Reprodução

Por isso, mesmo sem terem conquistado o título, encantam, até hoje, as lembranças da Seleção (com “S” maiúsculo) de 82, a Laranja Mecânica de Cruijff e, para quem pôde ver, a tal Hungria de Puskas, nos idos de 54.

Portanto, o que está em jogo não é uma rivalidade local, mas o futebol mais bonito ou mais merecedor, quem sabe. E, mesmo com todos os percalços, Lionel Messi faz muita diferença nesse aspecto.

Ainda que a seleção argentina seja um trambolho em campo (o que mudou, para melhor, contra a Nigéria), ainda há a arte dele, o melhor do mundo.

E a França? É mais um motivo para torcer pelos argentinos. Uma seleção jovem que dizem ser talentosa, mas de um futebol até agora muito chato de se ver. De quebra, ainda fizeram um 0 a 0 claramente combinado com a Dinamarca no último jogo da fase de grupos, para ambas avançarem com segurança às oitavas.

Mas, e então, se a Argentina surpreendentemente se classificar, para quem seria a torcida na fase seguinte? Não sei dizer. Pode haver um encontro entre Messi e Cristiano Ronaldo, bem como um clássico sul-americano contra o Uruguai. Provavelmente ficaria do lado dos Hermanos no primeiro caso e contra eles no segundo.

Mas, para quem gosta, o bom do futebol, quando não é o Goiás jogando, é que você pode mudar sua torcida de acordo com a beleza da partida. Quando não é o Goiás jogando, repito.

Agora, liguemo-nos na TV. A chance é pequena contra os franceses, mas existe. Por enquanto, avante Messi!

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.