Acabou o Estadual e o Goiás, sem o penta, passa de novo pelo mesmo problema do início do ano: ninguém procurado pela diretoria quer vir treinar o clube.

Vários treinadores não mostram interesse algum nem mesmo para ouvir uma proposta dos dirigentes alviverdes. Os torcedores mais atentos já começam a perceber o motivo desse entrave.

Não é algo muito complicado de explicar. Basta parar e pensar um pouco: se os torcedores sabem a realidade sobre a forma de gestão do Goiás, será que jogadores e treinadores também não têm conhecimento – talvez até maiores – dos problemas internos do clube, tendo eles contato com profissionais que trabalharam na Serrinha nos últimos anos?

A resposta é óbvia. Temos na diretoria pessoas que sabem muito pouco sobre como lidar com as entrelinhas dos bastidores do futebol, mesmo que alguns tenham jogado bola e tenham um perfil limpo, de sujeitos honestos e confiáveis. É que infelizmente só isso não basta.

Ocorre que essas mesmas pessoas acham (quando não têm certeza) que sabem tudo e mais um pouco. Mais do que isso, não demonstram maiores ambições em seu trabalho ou uma dedicação acima da média para fazer a coisa andar.

Então, lá vai uma questão dura para os esmeraldinos responderem, no estilo #prontofalei:

Em uma situação hipotética de escolha, você jogaria o futebol do Goiás nas mãos do quarteto Mauro Machado / Harlei / Túlio Lustosa / Marcelo Almeida ou na figura solitária de Adson Batista?

Cito aqui o presidente atleticano porque, depois da merecida e incontestável conquista do título goiano, ele soltou algumas alfinetadas com destino à Serrinha. Insinuou que o povo de lá anda trabalhando pouco para quem se diz o Maior do Centro-Oeste (o que, de fato, o Goiás é).

Adson mentiu? Não, não mentiu, embora tenha dito algo desnecessário em meio ao feito que acabava de alcançar no primeiro semestre à frente da presidência de seu clube.

Ele está certo: o Goiás, com a grana que gastou este ano e estando em preparação para a Série A, deveria ter passado o carro nos rivais de Goianão, como aliás vinha fazendo até o fim do primeiro turno. Por que não houve reação após a queda de rendimento?

O fato é que os dirigentes esmeraldinos não reagiram em momento algum. Vendo o time claramente involuindo, esperaram que os resultados voltassem a brotar do nada.

A sensação que tem quem está de fora (e Adson não está “de fora”, é bom ressaltar) é de que o trabalho do futebol na Serrinha muitas vezes é apenas burocrático. Quando passa disso, gasta energia e tempo da forma errada. Como tempo é dinheiro, pode se ter ideia do tamanho do rombo como prejuízo final.

Voltando ao problema do início do texto, o pior em tudo isso é a mensagem não escrita (mas sentida) de que o clube não tem ambição e, ao mesmo tempo, não dá liberdade de ação. Assim, o profissional (jogador ou treinador) que vier terá de rezar na cartilha da diretoria; se der errado, será responsabilizado (como ocorreu com Barbieri); se der certo, a diretoria toma a frente para dividir os créditos.

Para resumir a ópera mal orquestrada que se tornou o Goiás: não adianta mudar o treinador sem mudar a gestão. E mudar a gestão é, pelo menos, mexer no departamento de futebol.

O “pelo menos” diz respeito a nomes; o que vai além do “pelo menos” é questão de longo prazo, porque fala de uma política totalmente diferente, que tenha o tamanho adequado à enorme estrutura que é o Goiás Esporte Clube.

Até lá, enquanto isso não acontecer, o que temos ali na esquina da 85 com a Edmundo Pinheiro não é uma megaempresa, com receita maior que 90% dos municípios goianos; é apenas um mastodonte que só não foi extinto ainda por um curioso acaso da natureza do jogo.

Este temor da extinção é o mote para o próximo texto. Até lá.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  O texto acima foi construído a quatro mãos com o esmeraldino Ivanez Rodrigues, sempre com uma fundamentação sempre bem embasada para falar do Goiás.

 * * * * *  A sensação é de que, depois de quatro meses pré-Brasileirão, o time não saiu do lugar. Pior: até saiu, fez um bonito, mas voltou para onde estava. É começar tudo do zero mesmo.

 * * * * *  Sidão não tem clima para continuar no Goiás. O goleiro tem uma história de vida admirável, pela superação que conseguiu como ser humano. É um vitorioso nesse sentido, mas como profissional, tem de admitir que fracassou por aqui.

 * * * * *  E como fica Michael? Precisa voltar a colocar a cabeça no lugar e a ter a leveza que transmitia para jogar até o início do ano. Continua sendo o principal nome do elenco.

 * * * * *  Em tempo: a volta de Robson Gomes ao comando da preparação física do Goiás é uma das melhores notícias dos últimos tempos. Certamente teremos um time com menos contusões ao longo do restante da temporada.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.