Em uma oportunidade de negócio, você compra uns alqueires de terra com um preço bem convidativo.

De repente, numa escavação para fazer um novo galpão, encontra alguma pequenas pedras douradas. Daqui um tempo, escava mais um pouco e acha… uma pepita. Você não sabe a extensão da boa notícia, mas se vê dono de uma jazida de ouro!

Semanas depois da descoberta, surge uma proposta de vender a propriedade por dez vezes o valor que tinha pagado. O montante supera em muito o que você achou de ouro até o momento. E aí, você vende ou não?

A resposta: vai depender de sua necessidade. Se precisar imediatamente, por qualquer razão, pode mesmo ser uma boa. Mas, se não for o caso, vale a pena?

Mas o que isso tem a ver com o título deste post? Se você entende minimamente uma metáfora, já sabe onde este texto quer chegar.

Goiás michael gol criciuma 546x300 - Por que o Goiás NÃO PODE negociar Michael por valor algum agora
Michael fazendo o gol da virada contra o Criciúma, em uma de suas atuações memoráveis na Série B 2018 | Reprodução TV Premiere

Michael Richard Delgado de Oliveira não é a pepita. Ele é o terreno. Ainda bastante desconhecido ainda, diga-se. Tem 23 anos incompletos (nasceu em 1996) e, mais do que isso, não passou por categorias de base. Pelo contrário, sua origem e permanência até dois anos atrás eram as peladas e os campeonatos nos terrões.

Por isso mesmo, seu potencial ainda está em desenvolvimento. Não se sabe onde pode chegar.

A evolução que os esmeraldinos têm acompanhado, desde sua chegada ao clube, há menos de dois anos, no entanto, mostra que pode chegar longe.

Em 2017, quando foi contratado, veio desacreditado por muitos, por causa de sua origem e sua baixa estatura; mas, mesmo sem a confiança até de treinadores, teve alguns lampejos.

Já em 2018, principalmente com a chegada de Ney Franco, passou a ser o principal jogador da equipe, fundamental para a conquista do acesso, com seus gols e assistências. Ganhou também o carinho da torcida e, com tudo isso, muita autoconfiança.

Fora de campo, Michael continua um garoto simples, até simplório nas declarações. Mas dentro das quatro linhas, seu futebol aparece cada vez mais. Agora, na Série A que disputará, vai ganhar holofotes do Brasil e seu futebol, se se destacar, vai ser visto lá fora, nos grandes mercados mundiais.

Se o Goiás resolver negociá-lo agora, vai entrar uma grana razoável. Mas… o clube precisa mesmo desse dinheiro? Esse valor vai fazer o Goiás trazer alguém à altura? Vai tornar o time mais competitivo? Poderá levar o Verdão à Libertadores?

Minha resposta: 2 ou 3 milhões de euros não farão o clube maior do que é, como a venda de Luvanor fez, na década de 80. Para o futebol europeu, então, isso passou a ser uma ninharia.

A venda de Michael agora, por todos esses motivos, passa a ser um tiro no pé, seja no sentido técnico, seja tendo em vista o mercado futuro. É como um investidor da bolsa que tem ações de uma empresa que está com uma tecnologia nova, promissora, mas não desenvolvida totalmente.

Claro que, justamente por não sabermos ainda até onde vai seu potencial (ou mesmo, Deus o livre, por alguma contusão), a chance da venda pode ser perdida. Mas, na soma de todos os fatores, a chance vira risco de prejuízo técnico e financeiro muito maior com uma negociação.

Se o Goiás negociar Michael, vai fazer como o dono do terreno: encontrou uma pepita e logo depois um bom preço em suas terras. Mas pode perder muito mais do que ganharia se tivesse um pouco mais de paciência.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Em tempo: não acho que o Goiás vá vender Michael para o Santos ou qualquer clube nacional. Com certeza há na Serrinha gente que pensa futebol de forma programada e sabe sopesar os prós e contras. E tem mais contra que pró numa negociação.

 * * * * *  De volta à Serrinha nesta quinta-feira. Ótima ocasião para a diretoria estreitar laços com seus torcedores e para o marketing fazer as memoráveis festas do Estádio Olímpico na Série B.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.