Você tem uma empresa e quer conhecer o potencial de alguém para contratar? Com certeza vai olhar para o que esse alguém produziu por onde passou.

Robson Gomes tem fama de competente e bom profissional, mas não conheço a realidade dele fora do Goiás Esporte Clube. Então, o que posso – ouso dizer “podemos”, pois falo geralmente a esmeraldinos/as de outras décadas – falar é sobre seus números e feitos no clube.

Com sua demissão esdrúxula (da qual falaremos parágrafos abaixo), Robson completou este ano sua quarta passagem pela Serrinha: esteve por aqui de 1999 a 2002; de 2008 a 2009, de 2011 a 2014 e agora, de abril até dezembro.

Vamos aos números dele no clube? Seis títulos estaduais (1999, 2000, 2002, 2009, 2012 e 2013), três Copas Centro-Oeste (2000 a 2002) e o bicampeonato da Série B (1999 e 2012). Acessos à Série A? Dois. Rebaixamentos? Nenhum.

São mais títulos do que, por exemplo, Hélio dos Anjos. Talvez mais do que qualquer treinador que tenha passado pelo Goiás.

Em qualquer entidade com uma gerência séria, é uma história que seria, mais do que respeitada, reverenciada.

Não no Goiás. Não é à toa que qualifico o que ocorre no clube como uma espécie sui generis, bem particular (não que isso seja bom, pelo contrário), de fazer gestão: é o serrinhismo.

Foi uma coisa bem serrinhista esperar uma festa de confraternização para, no meio dela, chamar o cara dono desse currículo e desses números acima para lhe dizer que um outro profissional, solicitado pelo treinador, assumiria o comando da preparação física do clube. Mais serrinhista ainda foi em seguida propor a ele que ficasse, mas como auxiliar do novo profissional.

É o mesmo serrinhismo que muitos anos atrás ao anunciar “uma contratação de parar o trânsito”, chamou a imprensa para uma solenidade à noite em um clube grã-fino e apresentou a todos, como novo reforço… um ônibus.

Muitos anos depois, nada mudou. O Goiás continua sendo um brinquedo na mão dos serrinhistas. E as pessoas, também brinquedos nas mãos deles. A competência só vale até o momento que não seja obstáculo para a jestão.

Afinal, se não é uma forma muito particular de praticar gestão (daí até escrevermos a palavra com J), o que levaria dirigentes de um clube a tratarem dessa forma um profissional que fez seu trabalho de forma correta o ano todo? Invertendo a célebre frase de Chaplin, os gestores da Serrinha devem pensar:

“Não sois homens!
Máquinas é que sois!”

Assim, fica tudo certo: máquinas não têm sentimentos, logo não precisam ser respeitadas.

Uma inconfidência: não fosse a junção do coração esmeraldino com a capacidade racional de separar o que é o Goiás Esporte Clube do que são seus dirigentes, muita gente, inclusive este que aqui escreve, já teria desistido há muito tempo. Razões para isso as falas e os fatos dos cartolas nos dão frequentemente.

Mas, apesar de vocês, seguimos. Sigamos. Não somos máquinas, torcedores é o que somos. Que amam o Goiás e amam aqueles que o fizeram melhor.

Por isso mesmo, nossa gratidão, professor Robson Gomes. Até breve!

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Ok, a partir do momento em que Ney Franco acertou sua permanência e exigiu seu preparador, era hora de pesar os prós e os contras. Ney é um profissional respeitável e um gentleman, não há dúvida. Como Robson Gomes também é.

 * * * * *  Então, mas vamos lá: Michael terminaria o ano sendo o destaque que foi, voando como estava, se não estivesse bem preparado fisicamente? O Goiás ganharia tantos pontos ao fim dos jogos? E com número de contusões tão baixo na segunda metade da temporada? Em suma: Robson Gomes deu conta do recado? Parece que sim.

 * * * * *  Por outro lado, pode-se dizer que Ney Franco também atingiu o objetivo: deixou o clube na primeira página de classificação da Série A, como sempre ressaltou que gostaria. Mas passou quatro meses tentando ajustar o setor defensivo para estancar o vazamento e não conseguiu. Claro, em 2020 vai começar pela primeira vez uma temporada no Verdão. Vamos torcer para que consiga.


COMENTÁRIOS




Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.