Dedico estes poemas a todos aqueles que,
neste mundo inclinado aos espinhos,
apreciem a delicadeza das pétalas
e as frestas de luz do caminho.

Com essa dedicatória, pode-se dizer que Pazes, o segundo livro de poesias da escritora Nara Rúbia Ribeiro, já se inicia antes de começar – ela é o poema zero e sintetiza os demais 73 que estão na obra, a ser lançada com uma tarde de autógrafos no sábado (16/2), a partir das 17 horas, na Livraria Leitura, no Goiânia Shopping.

A primeira experiência lírica impressa de Nara foi com Não Borboletarás, em 2013. Durante esses seis anos de intervalo, muita coisa mudou na vida da escritora. Ela, que é goiana de São Luís de Montes Belos e formada em Direito, abriu mão de advocacia, fóruns e processos penais para criar a Revista Pazes, hoje uma das maiores publicações eletrônicas do País em número de seguidores e de acessos nas redes sociais – total de 1,4 milhão e 8 milhões/mês, respectivamente.

Nara Rubia - "Pazes", novo livro de Nara Rúbia Ribeiro, é um banho de empatia e existencialismo lírico
Nara Rúbia Ribeiro: em “Pazes”, sensibilidade aguçada para escrever as dores e as delícias da existência | Divulgação

Provavelmente não seja por acaso que ao livro tenha sido dado o nome da revista digital. Esta, ao mesmo tempo que estabeleceu à escritora um novo rumo profissional, também aguçou ainda mais sua natural sensibilidade e empatia. O resultado é que Pazes mostra um salto de qualidade ao livro anterior, principalmente em relação ao tom existencial, que resvala, às vezes explicitamente, em referências como Manoel de Barros, Rubem Alves e Mia Couto.

Esses dois últimos estão bem presentes no livro. A apresentação da obra é da filha de Rubem, a também escritora Raquel Alves, que resume o conteúdo como “palavras que dançam a sensibilidade profunda e guerreira de quem olha a matéria e vê alma, de quem olha o áspero e vê beleza, de quem olha o vazio e sopra versos”. E conclui: “É preciso coragem para viver com tal intensidade a ponto de dentro de si materializar o sublime em escritos.”

O premiado moçambicano Mia Couto, um dos maiores autores contemporâneos da língua portuguesa, participa com uma nota sobre o livro. “Há nestes versos a cansada poeira do tempo, as cinzas de sonhos desfeitos (…) Nessas fronteiras de sombra e luz se desenham as guerras e as pazes de Nara Rúbia”. Outro que tece comentários é o juiz João Marcos Buch, de Santa Catarina, também ativista dos direitos humanos, como a escritora goiana.

Os 73 poemas contam com tal carga empática que é impossível não se envolver nas cenas e sentimentos neles delineados. Brincando com as palavras, a autora expõe seus crivos de esperanças e desilusões. Como em Cansaço:

Deveria haver na vida
um tempo
de férias do existir.
Assim,
quando o caos das horas
nos visitasse o relógio da alma,
uma calma inexistência
nos levaria a paragens
onde todo sonho é possível,
pois tudo o que existe
ainda está por nascer.

Entre flertes claros com o ativismo, como em Para Inglês Ler, e doses de existencialismo romântico, como em Densidade, sobre também espaço para metapoemas, como o ótimo Origem : 

O poema nascido
das fontes mais cristalinas
é tão puro
quanto o poema que nasce
do monturo.
A poesia não guarda resquício
de vício da origem.
Seu corpo etéreo,
sua essência translúcida
transcende o seu próprio substrato.
E o poeta,
maltrapilho e falho,
cria as flores mais raras
e as belezas mais caras
como quem recria
o seu próprio eu.

Nara Rúbia resume sua obra como o reflexo de uma busca incessante, “um período em que a minha vida e a minha alma, então turbulenta e intranquila, muito necessitava de paz e serenidade”.

Por essas e outras, e pela empatia natural da autora, uma viagem pelos poemas pode ser também um encontro consigo mesmo em vários momentos.

 Evento  Lançamento do livro Pazes (Giostri Editora), de Nara Rúbia Ribeiro
 Local 
Livraria Leitura – Goiânia Shopping (Av. T-10, 1300 – Setor Bueno / Goiânia)
 Data e horário  16/2 (sábado), a partir das 17h
 Para comprar pela internet 
 Pode ser adquirido pelo site da editora

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.