De volta! Com a chegada de 2021, é um prazer comunicar que retorna também este espaço de opinião, informação e debate sobre o Goiás Esporte Clube.

Em meio a tudo de ruim que aconteceu no ano passado, tanto no Verdão como em nossas vidas, surge um novo janeiro, com esperanças renovadas.

E o que o colunista do blog Verde 33 tem pra dizer sobre o ano que começa para o Goiás?

Que, em relação a 2020 passado, tudo começa mais favorável aos esmeraldinos do que aos brasileiros em geral. Explico.

Enquanto o cenário nacional ainda é de total incerteza e insegurança sobre as consequências da segunda onda da covid-19 por aqui – em meio aos desregramentos das festas de fim de ano e à indefinição para início da vacinação da população brasileira –, no Goiás as coisas começam bem alinhadas.

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Isso dá otimismo à maior parte dos torcedores alviverdes para o começo – na verdade, o prosseguimento – de uma temporada nada fácil.

Os que sempre acompanharam este Blog sabe das críticas severas que já fiz ao que chamo de serrinhismo, uma espécie de ideologia/gestão própria criada no Goiás, consequência das décadas de hegemonia de Hailé Pinheiro no comando do clube.

Pois é justamente é em um herdeiro do mandatário que assenta a expectativa de inúmeros esmeraldinos por dias melhores no clube. Um sentimento que, confesso, divido com essa parcela da torcida.

Lembro-me de ter conhecido Paulo Rogério ainda na época do saudoso programa 100% Verdão, um dos pioneiros da mídia verde. Desde então, passamos a trocar mensagens via MSN (quem lembra?) durante algum tempo.

Quem conheceu o aplicativo – o qual o WhatsApp deixou na pré-história das conversações online, como o MSN havia feito com o ICQ, por exemplo –, sabe o período que foi: fins dos anos 2000, por ali, entre 2006 e 2009, quando eu tinha um espaço para escrever artigos (antes do blog) no Portal Esmeraldino. O assunto com PRP sempre foi, claro, o Verdão.

E o que me lembro dessas conversas, mais do que o conteúdo, era o entusiasmo com que ele, Paulo Rogério, falava do assunto Goiás Esporte Clube e da discussão das ideias para tentar mudar o clube – que muitas vezes contrastavam com o que seu pai pensava.

PRP 1 - Paulo Rogério na presidência do Goiás: antes tarde do que nunca
Paulo Rogério Pinheiro chega à presidência do Goiás, mas faz tempo que já deveria ter ocupado o posto | Reprodução

Perto dos 40 anos naquele momento, eu pensava que seria o nome ideal já àquela altura para a presidência do clube: justamente por ser um Pinheiro, teria mais força (e a eventual cobertura de Hailé, apesar das diferenças de pensamento) para conduzir as mudanças necessárias.

Passaram-se mais de dez anos e as mudanças continuam, mais do que nunca, necessárias. O Goiás tem uma gestão de futebol totalmente ultrapassada e, mesmo na área administrativa, muitos gastos inúteis. Posso dizer, como um certo procurador federal, que não há provas, mas tenho convicção de que fizeram da Serrinha um “cabide de empregos”.

Da mesma forma, estou convicto de que Paulo Rogério, se tiver a mesma energia daqueles tempos – e suas entrevistas na imprensa demonstram isso –, ele é o nome ideal para conduzir essa ampla reforma estrutural e geral por que precisa passar o clube.

Na verdade, ele já deveria ter sido eleito presidente há muito mais tempo (até onde sei, o pai sempre rechaçou a ideia). Pois mesmo aquele PRP mais jovem, com tanta energia, não faria pior que nenhum dos nomes que se sentaram na cadeira principal da Serrinha desde então.

Energia, parece, ele ainda tem muita. Vai precisar encarar os esqueletos guardados há décadas nos armários do clube: estatuto engessado e elitista, falta de proximidade com a torcida, vaidades e privilégios de alguns e tudo o mais.

Vai superar isso? Difícil, porque são consequências das administrações avalizadas pelo próprio pai. Mas não é impossível, e, como primeiro Pinheiro depois de Hailé a assumir o Goiás, ele tem personalidade suficiente para enfrentar o que tiver enfrentado. E espero que queira enfrentar.

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LINCOLNEANAS

 * * * * *  A oposição cumpriu um papel fundamental e decisivo aos rumos do Goiás. Não fosse o barulho da União Esmeraldina, provavelmente um outro nome teria sido aclamado. A formatação de uma chapa dissidente de conselheiros fez com que o status quo da Serrinha se mexesse e estabelecesse compromissos de mudança, mesmo na continuidade.

 * * * * *  Por outro lado, que bom que a oposição continuará na oposição! O que se viu nos últimos dias antes da data da eleição foram sinais claros de que não há coesão nem foco. Em resumo: Vanderlan Alcântara liderava um saco de gatos. Ou talvez nem liderasse…

 * * * * *  Em outras palavras: não adianta apostar apenas por ter raiva do que aí está. Se acha que o que está aí é ruim, saiba que sempre tem espaço para tudo piorar. Principalmente com uma aventura sem consistência nem preparo. O Brasil que o diga.

 * * * * *  Em tempo: a União Esmeraldina não pode parar. Precisa continuar o trabalho que começou e amadurecer suas propostas e projetos. Como oposição, terá três anos para isso, bem como para cobrar os compromissos de Paulo Rogério Pinheiro. Se fizer tudo de forma organizada e responsável, trará um bem enorme ao Goiás.

* * * * *  Como torcedor, jornalista e também colunista deste Blog, continuarei misturando essas facetas para expor aqui meu pensamento. Não adianta falar que é só razão, mas nunca será só emoção o que você lerá nestas linhas. Dito isso: desejo Feliz 2021 a todos. E que, ao fim do ano, estejamos todos bem, nós vacinados e o Verdão na Série A!


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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.