Elder Dias

A necessidade faz o sapo pular. E — com o perdão do trocadilho infame em um momento de satisfação pelo belo resultado — foi isso que o Moxé fez no Allianz Arena, nesta noite de sábado.

Quando o Palmeiras fez seu gol, na única jogada possível para o pouco criativo time de Vanderlei Luxemburgo, com a cabeçada de Gustavo Gomez após o escanteio, qualquer esmeraldino mais racional (eu sou um desses) sabia que o roteiro de uma goleada era bem mais possível do que um empate.

Então, o sapo pulou pela primeira vez. Quer dizer, Victor Andrade, que saltou fintando o juiz e cavando uma falta inexistente na entrada da área. Uma chance criada por uma malandragem que o VAR não tem como evitar após o árbitro apitar.

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Entrou em ação o segundo malandro da noite. Rafael Vaz voltou para o Goiás, de onde não deveria ter saído no fim do ano passado (era uma figura controversa com a torcida no início do campeonato, mas se tornou essencial durante a campanha por seus gols e lançamentos).

O zagueiro-artilheiro avançou rumo à bola e aí quem pulou foi a barreira palmeirense. Um chute forte, rasteiro e surpreendente para o bom Weverton, que só pôde assistir ao gol do Goiás. Maravilha registrada  como flagrante, na imagem que ilustra este texto.

Em tempo: é para alertar para esse tipo de situação em bola parada que, tenho certeza, o Verdão dispõe do suporte de uma boa equipe de análise de desempenho, algo cada vez mais importante no futebol.

Terminou o primeiro tempo, começou o segundo e terminou esse também com a mesma monotonia: Palmeiras no campo do Verdão da Serra, mas sem conseguir finalizar com eficiência. A bem da verdade, isso só ocorreu nos últimos segundos dos acréscimos, quando Rony cabeceou e Marcelo Rangel fez uma bela defesa de reflexos.

Foi assim a trajetória do sapo na inóspita e sintética arena palmeirense, conseguindo um ponto que vale por três. Não será todo time com 15 desfalques que conseguirá o mesmo resultado na casa dos paulistanos.

Mais uma bonita página na história do Goiás, para mostrar, como havia feito mais cedo o Lyon, que o jogo é jogado e que no futebol nem mesmo superfavoritos ganham de véspera.

E você, esmeraldina/o, vai poder contar para seus netos daqui um tempo como o Verdão da Serra foi a São Paulo desfigurado pela covid-19, sem ter como entrosar seu onze, arrancou um empate depois de estar perdendo e, em meio a uma dolorosa pandemia, fez sua torcida feliz.

Tudo por meio da esperteza de dois jogadores e a necessidade do Moxé, sapo-rei do Centro-Oeste e com uma história de Série A que merece fazer sua camisa ser respeitada em qualquer circunstância.

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LINCOLNEANAS

 * * * * *  A propósito, sei que boa parte da torcida já assimilou o uso do Moxé, mas tem muito esmeraldino mais sistemático que ainda vê isso como algo negativo e provocador. Na visão deste colunista, é uma situação similar à do Porco palmeirense e do Urubu flamenguista: um termo pejorativo que virou identidade do clube. Os anos dirão.

 * * * * *  A falta cobrada por Rafael Vaz foi déjà vu total daquela contra o Fluminense, na estreia vitoriosa pela Série A do ano passado. Até no local de onde foi executada.

 * * * * *  Por questão técnica, não comentamos a atuação diante do Athletico Paranaense nem fizemos o pré-jogo deste sábado. Resumindo o que eu falaria: que havia me surpreendido com o Goiás ter segurado o resultado em Curitiba por tanto tempo e que, apesar do nome e do recente título, o Palmeiras não metia mais medo que o Furacão.

 * * * * *  Claro que os palmeirenses vão reclamar da arbitragem, mas a não expulsão de Patrick de Paula após a agressão ainda no primeiro tempo dá ao Goiás o mesmo direito de ter achado fraco o desempenho de Paulo Roberto Alves Junior (PR) com o apito.


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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.