Antes de tudo, uma saudação especial aos dois da foto: Tadeu e Michael são os grandes nomes do Goiás na temporada. Sem eles, não estaríamos aqui hoje celebrando ser o primeirão do segundo turno. Ter um grande goleiro e um atacante esperto reduz em muito o risco de voltar para onde o clube nunca deveria ter ido.

Dito isso, é preciso dizer que hoje o que vemos não é o estilo de jogo que o Goiás desenvolveu historicamente, com grandes e talentosos meio-campistas – Tuíra, Luvanor, Carlos Magno, Péricles, Paulo Baier, Rodrigo Tabata, entre outros.

Mas é o que temos para o momento. E isso que temos deu ao Verdão essas fantásticas quatro vitórias seguidas, nenhum gol nesses jogos e a liderança simbólica do returno com 12 pontos e 100% de aproveitamento.

Para quem não está envolvido emocionalmente, o Goiás tem produzido um futebol apenas mediano. O jogo contra o Cruzeiro teve muitos balões, bate-cabeças, passes errados e correria improdutiva (de ambas as partes).

Na vitória sobre o Ceará, em Fortaleza, já houve algo muito peculiar: durante quase um minuto e meio, entre os 40 e os 42 do primeiro tempo, a bola esteve com o Goiás de pé em pé, rodando de uma intermediária a outra dos lados do campo, com o total de 32 passes seguidos! Mesmo com a observação de que o adversário parecia bastante abatido naquele momento, isso é animador.

Fica assim, então: só quem sabe o que o time e a torcida estavam passando até o fim do primeiro turno pode julgar esse estilo de jogo que agora ganhou cara.

O mérito pela mudança de ares é principalmente dele: Ney Franco, que repete o script do ano passado. Todos vão se lembrar que, após ter um começo bem cambaleante pegando um elenco destroçado, o treinador conseguiu elevar a autoestima do grupo e, de alguma maneira, fez o time render em campo a ponto de obter o necessário para conseguir o acesso à Série A.

Como vários comentaristas vêm dizendo, o limitado Goiás de hoje parece “jogar por uma bola”, visando definir assim o resultado da partida. Foi assim contra o São Paulo, contra o Cruzeiro e agora contra o Ceará. É um benefício que a consciência da própria limitação possibilita: afinal, pra que ter posse de bola, se não há (pelo menos, ainda) a qualidade suficiente para fazer bom proveito de estar com ela?

Não é uma tática nova, claro. Guardadas as proporções, é só o que o Corinthians tem feito há mais de meia década, com sucesso e títulos importantes.

O melhor de tudo isso é que estamos muito, muito perto mesmo de conseguir o objetivo de permanecer na Série A. Pegamos quatro times em crise e fizemos o melhor. E vem aí o Botafogo, nosso oposto, o lanterna absoluto do segundo turno…

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Não há dúvidas de que a zaga do Goiás é outra. Rafael Vaz mudou para muito melhor e fez uma partidaça contra o Cruzeiro. Mas o maior mérito, novamente, vai para Ney Franco. O ponto de viragem para o setor defensivo foi a entrada de Gilberto na vaga que estava vaga: trocamos Marlone/Renatinho/Giovanni Augusto por um bom marcador. Só de passar a jogar com 11 em campo já vale a pena.

 * * * * *  Sobre ter 11 em campo, eu estava com uma crítica pronta a Rafael Moura se tivesse tido a oportunidade de publicar este texto na semana passada. Mas veio a partida contra o Ceará e, dentro de suas atuais limitações, He-Man ajudou bastante o time: cadenciou o jogo, prendeu a bola, tirou o perigo da área nos escanteios adversários. Está participativo, a seu modo, e isso pode contribuir para jogos como o deste domingo. Mesmo com a seca de gols.

 * * * * *  Saga de torcedor, parte 1: fizeram de tudo para o esmeraldino não ir ao Serra Dourada na partida contra o Cruzeiro – e, se fosse, para não chegar. Fora as obras viárias da Prefeitura, o torcedor ainda teve de achar um lugar para estacionar seu veículo, já que o estacionamento virou arena de shows de músicas ruins da moda. Alguns (presente!) andaram mais de quilômetro e meio do lugar onde encontraram vaga para o carro até a entrada do estádio. Outros, depois disso, encararam mais meia hora de fila de compra de ingresso. Teve gente (presente!) que só pôde assistir ao segundo tempo. Não dá nem para personalizar a culpa pelo desrespeito, então a gente divide: poder público municipal, administração do estádio, diretoria do clube. E sobraria para mais gente. Uma vergonha.

 * * * * *  Saga de torcedor, parte 2: duas vitórias seguidas, um leve respiro na tabela e, a despeito de tudo que foi relatado na nota anterior, quase 21 mil esmeraldinos compareceram ao jogo (contando só os que conseguiram entrar para assistir). A festa foi linda, principalmente após os gols (o anulado do Cruzeiro e o anotado por Alan Ruschel), galera em pé e bandeirão subindo e descendo. Importante ressaltar que foi vetada pela Justiça a presença de cruzeirense, ou seja, eram só alviverdes mesmo. E tem rival com fama de “fiel” que chama os verdes de torcedores de sofá. Então tá, né?

natação GEC e1570472894723 - O Goiás não é mais "aquele". Se for para ser assim, que bom que não é! * * * * *  O Goiás Esporte Clube fez bonito em Campo Grande (MS), no Torneio Centro-Oeste de Natação, de 26 a 28 de setembro. Sob o comando dos treinadores Dener Silveira e Marcello Gonçalves, os 18 nadadores alviverdes (foto) conquistaram o 3º lugar nas categorias sênior e infantil e o 6º na classificação geral. No infantil, Taufic Fleury obteve índice para o Brasileiro, nas modalidades 100 e 200 metros costas.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.