O último Goiás x Vila Nova em que estive foi o trágico 3 a 1 do primeiro turno da Série B do ano passado. Do lado verde, era um arremedo de equipe que demorou mais de 15 minutos(!) para conseguir dar cinco passes seguidos, mesmo contando aquela troca de bola na zaga, para os lados. Era puro chutão!

Como aquilo poderia dar certo, como time? Desânimo total. No fim, com Ney Franco conseguindo fazer algumas peças renderem, a vibe daquela ótima sequência no Olímpico e Michael + Lucão fazendo a diferença, a Série B acabou expulsando o Verdão. Fala sério, o Goiás não conseguiu o acesso: foi deportado de um lugar que não era o dele.

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Michael e Júnior Brandão dão trabalho ao goleiro Rafael Santos, com um esbaforido Gastón no encalço da dupla | Rosiron Rodrigues / Goiás EC

Neste domingo, lá do alto do tobogã da nova Serrinha que está nascendo, com ampla visão do que ocorria no gramado (à exceção de quando uma bandeira insistia em tremular meio fora de lugar), vendo novamente um Goiás x Vila, a sensação era outra: está sendo montado um time de verdade.

É cedo para falar? É. Muita coisa pode mudar? Sim, pode.

Mas nosso papel é analisar o momento e faz muitos anos que o Goiás não tinha um momento tão bom e tão convincente ainda no mês de janeiro. Quem chegou perto disso, nos últimos tempos, foi o elenco de 2012, aquele que seria o justo campeão da Série B.

Contra Goiânia e Novo Horizonte não dava para ter base do alcance técnico. O domínio total não indicava muita coisa, embora a organização, o toque de bola e a evolução do posicionamento em campo já pudessem ser observados

Com o Vila Nova, foi diferente.

Ainda que os times estejam montando elencos para competições diferentes, é um clássico sempre duro e que traria, como trouxe, algumas constatações.

A primeira é que Maurício Barbieri tem sido muito competente. Mesmo em tão curto período de trabalho, seu time já mostra um claro padrão: vai jogar sempre com linhas compactadas, priorizando a posse de bola e raramente optando por um balão, além de usar muita triangulação e jogadas pelos lados.

A segunda: o Goiás pode apostar todas as fichas em Kevin. Não sei que tipo de acordo foi feito em relação ao futuro do garoto (21 anos), mas nesses dois jogos (e neste vídeo aqui também) já foi possível perceber a qualidade acima da média para a posição em que o clube foi tão carente nos últimos anos. Abra o olho, Verdão, para que não se repita o que houve com Egídio e Ricardo Goulart em 2012.

A terceira constatação é de que Sidão é um goleiro melhor do que os que o antecederam nos últimos cinco anos. Em tempo: isso não é muita coisa, mas já dá um pouco mais de tranquilidade.

A quarta é que está tudo normal: nada mudou em Goiânia. Boa semana!

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Falei pouco de Michael no texto principal porque está ficando repetitivo. Assim como repetitiva está sua escolha, agora pela terceira vez, como o Bola de Esmeralda da rodada, premiação do blog Verde 33/Estádio das Coisas. Ao contrário do que alguns disseram, ele não esteve apagado no primeiro tempo; porém, seu brilho veio mesmo com força na jogada que decidiu a partida,- iniciada por Kevin e com tabelinha com Júnior Brandão – em que dá um passe de calcanhar e recebe de volta para driblar dois zagueiros e tirar o goleiro com um toque perfeito. Golaço!

 * * * * *  Menções muito honrosas para Kevin, Marlone, Geovane e Léo Sena, nesta ordem. Brandão fez o que tem de fazer: gol. Vai ganhando naturalmente a condição de titular na disputa com Brenner.

50863653 573448799796347 4662508645613830144 n 474x300 - O clássico mostrou: você vai ser feliz vendo o Goiás jogar em 2019 * * * * *  Registro triste do domingo foi a morte de mais um jovem na guerra das torcidas, que já não sabem mais resolver suas diferenças “na mão”. Não que fosse certo, mas isso era ao menos um mau costume menos letal e menos covarde. Que as autoridades apurem e punam. Novamente a gente torce para não se repetir mais. O diretor de marketing do Goiás, João Grego, fez um desabafo triste nas redes sociais (foto). O clube também se posicionou oficialmente pedindo um basta na violência entre as torcidas, que agora ocorre longe dos estádios e paira sobre qualquer um com a camisa de seu time. Que Rondinelly descanse em paz, que Deus conforte sua família e que haja justiça e punição!

 * * * * *  Por falar em algo que se repetiu absurdamente, o crime ambiental de Brumadinho ganhou o minuto de silêncio mais respeitoso já observado in loco por este blogueiro em um estádio. Solidariedade às famílias das vítimas. E que os poderosos da política e da mineração entendam, enfim, que a preservação do meio ambiente não é discurso de gente radical, mas uma realidade impositiva. Respeite o Verde, Brasil!

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.