A grande novidade do Goiás para este sábado de carnaval na Serrinha, contra o Grêmio Anápolis, às 16 horas, é uma ausência: Michael, suspenso por três cartões amarelos, não joga.

A grande expectativa para a partida passa a ser como o time se comportará sem seu principal jogador. Até o momento, em dez jogos neste ano, o Verdão não conseguiu estar à frente do placar sem que o camisa 11 estivesse em campo. Com ele no gramado, o Goiás só não venceu o CRB.

Mais do que isso, creio que, por conta exatamente deste jogo, o técnico Maurício Barbieri tem a chance de começar a resolver a questão que mais preocupa na equipe neste momento: a falta de um atacante de referência.

Mas o que seria um atacante de referência? O próprio nome parece dizer, algum jogador que ocupe uma posição que o coloque como principal alvo das jogadas, dentro da área e, consequentemente, responsável imediato por fazer gols.

Resumindo: é aquele cara que, no dizer popular, não faz nada, “só faz gol”.

É isso – fazer gols – a razão de viver de Fred, Ricardo Oliveira, Borja, Leandro Damião, Wellington Paulista, Rafael Moura, Gustavo, Lucão no futebol presente; e no passado existiram Serginho, Nunes, Adriano Imperador, Túlio Maravilha e tantos outros camisas 9 (ainda que não a utilizassem).

E daí – esmeraldinas e esmeraldinos mais “históricos” me ajudarão – o Goiás teve bons times do Goiás com um camisa 9 “de referência”? Dos que eu vi jogar, me lembro basicamente do Goiás de 1989/1990, com o então garoto Túlio; o de 1999/2000, com Dill no comando do ataque; e o que chegou à Libertadores em 2005, com Souza de artilheiro.

Mas o Goiás se deu bem em 1983, com Cacau, Washington e Braz no ataque (Bill e Dario eram reservas); em 1996, com Alex, Lúcio, Dill e Evandro se alternando; e com o fantástico Trio Elétrico de 2003, com Araújo, Grafite e Dimba – com dois camisas 9. Em todos os casos, não havia um alvo destacado.

Então, antes mesmo do jogo, quero bancar algo que pode dar muito certo, baseado nssa segunda classe de times: que tal Michael e Barcia jogando juntos?

Neste sábado, contra o Grêmio Anápolis, parece que será Brenner com Barcia. Mas isso não vem ao caso.

Estou pensando no Goiás com a volta de Michael. Ele e Barcia na frente, se revezando na ocupação do espaço entre a grande área e o lado direito.

Ambos têm o lado do campo como origem. Ambos são jogadores rápidos e inteligentes. Barcia, além de tudo, é um bom cabeceador. Não vejo por que, tendo ambos no elenco e estando o Goiás sobrando no campeonato, que não se faça o teste.

A figura do falso 9 continua sendo amplamente usada no futebol moderno, mesmo quando se tem um “9”. É o caso do Barcelona com Suárez; é o caso do Manchester City, com Aguero; é o caso de Salah, no Liverpool.

É até meio óbvio que um jogador que, além de fazer gol, ajude na movimentação, na marcação, na recomposição etc., se torna mais útil ao time. Parece-me o caso do uruguaio.

Nem Brenner nem Brandão. Se for para começar com a letra B, prefiro Barcia.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Para não passar em branco nos comentários ainda sobre o quinto clássico vencido no ano, o Goiás sobrou em campo no Onésio Brasileiro Alvarenga. Poderia ter ganhado por uma diferença bem maior, mas falhou muito nas conclusões.

 * * * * *  E o craque Bola de Esmeralda foi Geovane, que de novo pôs o Mineirinho no bolso e de quebra por muito pouco não fez seu gol. Menção honrosa (e muito honrosa) para Léo Sena.

 * * * * *  Que o Goiás continue a mostrar os vestiários limpos nas casas dos rivais, seja no Goiano ou na Série A. Demonstrações assim não são apenas marketing; incentivam o civismo (raiz do verdadeiro patriotismo) e a mudança de comportamento. Sigam o exemplo nas arquibancadas da Serrinha, esmeraldinos!

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS




Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.