Elder Dias

O Goiás precisava mudar e não podia mais esperar. Aliás, precisa mudar muito mais ainda. É questão de vida ou Série B.

Mas, no futebol, há demissões e demissões.

O que aconteceu na Serrinha na noite desta quinta-feira, divulgado em primeira mão pela equipe da Rádio Sagres 730, foi surpreendente não pelo desfecho, mas por sua rapidez.

A saída de Ney Franco era mais do previsível: era necessária. Nesse seu retorno ao Goiás, o treinador que ajudou na volta à Série A não conseguiu fazer um trabalho consistente em nenhum momento.

Não fosse o brilho individual de dois atletas, Tadeu e Michael, a segunda passagem de Ney — uma pessoa com méritos em sua carreira e, sobretudo, irreparável na questão ética — teria sido bem mais breve e acabaria antes do fim da última temporada.

Este ano, está claro que só o goleiro não vai salvar o Verdão. Até porque não temos tido um time, mas um amontoado de jogadores em campo. Não existe exemplo mais claro de time de pelada do que o Goiás a que assistimos contra o Fortaleza.

Alguém bem mais atento e sensível a movimentação em campo e esquemas táticos talvez tenha condições de descrever uma jogada trabalhada da equipe este ano. Eu não possuo esse dom.

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Mas a demissão ocorreu não por conta apenas do baixo rendimento em campo, mas por questões dos bastidores.

Pelas últimas declarações de Edminho e Hailé, a família Pinheiro está claramente contrária às decisões que a diretoria executiva vem tomando, em relação a contratações e, quem sabe, mais alguma coisa. Se a coisa vazou para os microfones agora, é porque lá dentro já está rolando há algum tempo.

A saída de Túlio Lustosa da diretoria de futebol era obrigatória, mais até do que a de Ney Franco. Basta olhar para o tempo de cargo que ele teve e o que de fato produziu.

E que o Goiás aprenda a lição: ex-jogadores só devem ser postos em cargos de gestão precisam demonstrar competência fora de campo, e na mesma função.

Por isso mesmo, eu já tenderia a discordar de Harlei Menezes assumir o papel do demitido, a não ser por um período interino. A favor do ex-goleiro, porém, tem o fato de já ter ganhado alguma bagagem e de ter tido participação na vinda de Bruno Henrique e de Michael para o Verdão.

Uma eventual vinda de Alberto Valentim — apesar de estar mais “fria” no momento —, é mais do mesmo: uma aposta. E dificilmente será diferente, qualquer que seja o técnico, porque o Goiás não tem condições de trazer alguém do primeiro time de nomes nacionais.

Enquanto isso, sábado já é amanhã. E tem clássico.

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LINCOLNEANAS

 * * * * *  A primeira providência do novo treinador não pode ser outra a não ser enxugar o elenco. Só a título de exemplo, tem mais de uma dezena de atacantes e nenhum deles hoje é titular.

 * * * * *  Falando ainda do jogo de quarta-feira, mais especificamente da transmissão: pela TV, a obra da arena já faz o que era um campo ganhar a impressão de estádio.

 * * * * *  Falta o time começar a internalizar que a Serrinha é seu terreiro e que o Goiás é quem tem de mandar ali. E nisso tem de aparecer o dedo do comandante/treinador.


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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.