A semana começava com o Brasil marcando 400 mortes por dia, no placar macabro da pandemia.

Em Brasília, Jair Messias participava de mais uma aglomeração de seus fãs bradando bravatas políticas.

No Rio, Luiz Edmundo sentiu-se mal e foi para o hospital. Precisava de uma UTI. Fizeram-no aguardar, sentando-o numa cadeira.

A semana avançou, as mortes subiram da casa de 400 para a de 700 por dia, no placar macabro da pandemia.

Em Brasília, Jair Messias avisava que chamaria convidados para um churrasco no sábado, com direito a uma pelada de futebol.

No Rio, a família de Luiz Edmundo protestava pedindo o leito de UTI. Na cadeira se sentou, na cadeira continuou.

O sábado terminou com o Brasil passando as 10 mil mortes ao fim do dia, no placar macabro da pandemia.

Em Brasília, Jair Messias trocava o churrasco por uma volta de jet ski no lago do Paranoá, convencendo-se de que esse vírus é uma “neurose”.

No Rio, Luiz Edmundo morria, aos 70 anos, vítima do excesso de gente à espera de UTI e do descaso com leitos vazios nos hospitais federais. Na cadeira se sentou, na cadeira continuou, na cadeira ele morreu.

Jair se levantou do jet ski. Sua cadeira no Planalto o espera, em Brasília. No Rio, Luiz não se levantará mais da cadeira que nunca deixou pra trás.


P.S.: Estado que centraliza a preocupação da pandemia no Brasil, o Rio de Janeiro é o que tem mais hospitais de gestão federal (nove).


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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.