Elder Dias

Em meio à dificuldade de mobilização causada pela pandemia do novo coronavírus, a população do Setor Sul, um dos primeiros núcleos habitacionais de Goiânia, constrói estratégias para que a nova legislação urbanística da capital afete o bairro.

É que corre entre os moradores a preocupação (justificável) de que o novo Plano Diretor da cidade permita venda de áreas públicas e uma redivisão dos lotes, o que causaria efeitos negativos às áreas verdes e à formatação original do setor, que prioriza o convívio e o lazer em detrimento do aspecto comercial.

Para levar ao conhecimento dos demais goianienses e conseguir seu apoio, um grupo de moradores elaborou um abaixo-assinado para coletar a adesão à causa de “proteção e tombamento do patrimônio histórico do Setor Sul”.

Para assinar e se juntar à causa, clique aqui.

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A íntegra da petição encontra-se da carta está abaixo:

Proteção para o Setor Sul – o bairro jardim de Goiânia

Nesse momento em que acontece na Câmara Municipal de Goiânia a discussão do Plano Diretor – instrumento legal que define a forma como a cidade deve crescer e se desenvolver – nós, moradores do Setor Sul e também de outras regiões de Goiânia, vimos aqui pedir PELA PROTEÇÃO E TOMBAMENTO DO TRAÇADO HISTÓRICO DO SETOR SUL E DE SUAS ÁREAS VERDES. Nos manifestamos ainda veementemente contra qualquer adensamento que exceda ao limite imposto pelas Leis atualmente em vigor, venda de áreas públicas ou permissão de remembramento dos lotes localizados nas vias de eixo viário que atravessam o bairro com os lotes de fundo, que dão para praças ou ruas secundárias.

A atual situação é de grande seriedade, uma vez que a presença de grandes áreas verdes e a localização privilegiada tornam o Setor Sul suscetível à especulação imobiliária e às suas devastadoras consequências.

O traçado urbanístico do Setor Sul – com suas áreas verdes, vielas e cul-de-sac
– constituem patrimônio paisagístico, histórico e ambiental de Goiânia, instituído em projeto urbanístico aprovado por Lei que vigora desde a sua fundação, constituindo parte importante da memória e identidade da cidade e um bem comum aos seus cidadãos.

O Setor Sul fez, desde o início, parte do plano urbanístico elaborado por Attilio Correia Lima para a nova capital do Estado de Goiás. O traçado do bairro, reformulado pelos irmãos Coimbra Bueno sob a consultoria do engenheiro Armando de Godoy, expressa o ideário Moderno da época. É um projeto peculiar, inspirado nos princípios da cidade-jardim que propõe cidades onde pessoas poderiam viver harmonicamente junto a natureza, com qualidade de vida. Godoy utilizou no projeto do Setor Sul algumas destas referências, criando um verdadeiro parque urbano que hoje beneficia toda a cidade.

As áreas permeáveis do Setor Sul desempenham importante papel de drenagem de águas pluviais para toda a região sul da cidade e podem ser seriamente atingidas caso venha acontecer privatização de parte de suas áreas ou um adensamento excessivo. Consideramos ainda que qualquer proposta de adensamento, ou dos citados remembramento de lotes, trará sérios prejuízos à mobilidade e à qualidade de vida do bairro e da cidade como um todo.

Na atualidade, quando muitas importantes cidades do mundo estão discutindo como reconquistar seus espaços públicos e recuperar suas áreas verdes a fim de proporcionar qualidade de vida aos seus habitantes, nós, moradores de Goiânia, reconhecemos e valorizamos o importante papel ambiental e histórico do Setor Sul e solicitamos que sejam tomadas providências no sentido do tombamento do traçado urbano deste bairro e de suas áreas verdes. Com a ação do poder público, juntamente com a população, o bairro pode se tornar um grande parque linear, com suas áreas verdes cuidadas, segurança, pistas de caminhadas, ciclovias, áreas de estar e contemplação, centros de cultura e lazer, beneficiando assim a todos.

Este abaixo-assinado tem a intenção de defender o SETOR SUL enquanto bem público e de preservá-lo para as gerações futuras, mantendo intacta sua paisagem, traçado e demais características urbanísticas, garantindo assim a todos, indistintamente, o direito à memória e ao uso deste importante espaço público.

Diante do exposto, solicitamos à Câmara Municipal e aos demais gestores desta cidade que considerem nosso repudio à qualquer proposta de venda de áreas públicas, remembramento de lotes que deem acesso direto às ruas internas e áreas verdes e às propostas de adensamento excessivo do bairro e pedimos a reabertura e devida conclusão dos processos, atualmente arquivados, para regulamentar o tombamento do traçado e das áreas verdes do Setor Sul.


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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.