Já rolam em profusão na internet vários memes de Nelson Teich como o corpo protagonista da comédia Um Morto Muito Louco.

O ministro da Saúde teve duas semanas para mudar o preconceito sobre sua própria figura, que já chegou ao posto sob ataque, com a viralização de um vídeo no qual deixava em aberto sua posição sobre em quem (um idoso ou um adolescente) deveria ser investido o dinheiro de recursos da saúde, caso só houvesse como salvar uma pessoa.

A primeira imagem, de alguém insosso, sem vibração nem dinâmica, não deveria ser a que ficasse, caso o ministro não a confirmasse dia após dia: a retórica vazia de seu primeiro discurso e a apatia corporal confirmada por suas ações (ou pela falta delas) são o que vêm marcando sua curta passagem pela pasta-chave na condução de uma pandemia em território nacional.

Teich diz que não se deve sair do isolamento social “agora”, que não há orientação do ministério em contrário a isso, mas, mesmo com o País se tornando nesta semana o recordista em taxa de contágio, ele se recusa a ser incisivo em recomendar a quarentena.

É que ele chegou à firma “ontem” e o antecessor foi despedido por ir de encontro à opinião do chefe, apesar de falar o que deveria ser dito. Em época de crise econômica, melhor preservar o emprego, né?

Como não pode de forma alguma, pelo juramento ético de sua profissão, referendar a incitação recorrente e inacreditável do presidente à retomada da vida normal, ele fica mudo sempre que pode.

Quase um pugilista

E, quando não pode, instigado a dar uma resposta direta, objetiva, como nesta quarta-feira, 29/4, em videoconferência com senadores, apesar de não ter histórico de atleta, Teich se esquiva tão bem quanto Muhammad Ali em seus melhores dias.

Uma maior insistência de algum questionador faz o ministro falar que devemos “conhecer melhor” a forma de propagação, para poder tomar as medidas necessárias para ações simples, como a priorização de envio de EPIs. É incrível como, na função número 1 de controle da pandemia, Nelson Teich tem se portado como um chefe de almoxarifado, como bem disse a jornalista Mônica Waldvogel.

O fato é que, por conta dessa falta de comando e de ter alguém para enviar uma orientação epidemiológica forte e direta, juntando-se à dificuldade de acesso à ajuda emergencial, a população se acha totalmente confusa sobre a óbvia necessidade de ficar em casa. Não há governador que segure essa barra.

Dessa forma, todo o trabalho feito para preparar as pessoas para a chegada do pico, durante o período do ministro anterior, se encontra agora perdido por essa falta de rumo.

Foi assim que, em duas semanas de Nelson Teich, o Brasil desperdiçou um mês. Ou talvez ainda mais, muito mais, a depender do que vem por aí.

Isso pode estar errado diante da matemática. Mas, em termos de questões sanitárias, essa conta infelizmente talvez esteja até subestimada.

O portal Estádio das Coisas apoia as medidas
de isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus.
#FiqueEmCasa   #SeSairUseMáscara


COMENTÁRIOS




Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.