A covid-19 é uma doença novíssima e o conhecimento sobre ela ainda é limitado. Estudos patológicos após a autópsia de pacientes mostraram que o vírus invade principalmente os pulmões.

No entanto, muito cedo se descobriu que o novo coronavírus ataca de forma sistêmica: além das vias respiratórias, pode invadir órgãos imunológicos, coração, fígado, rins e outros.

Pesquisas atuais mostram que, além do sistema respiratório, o Sars-CoV-2 pode afetar vários órgãos do corpo, incluindo o sistema cardiovascular. Esses achados realçam a natureza extensiva dos efeitos da doença e a complexidade de seus mecanismos patológicos.

Mas um estudo realizado por uma equipe de pesquisadores chineses da cidade de Wuhan, onde começou a pandemia no mundo, traz pistas sobre uma questão em particular: como a obesidade pode afetar pacientes jovens de covid-19.

Até o momento, já se sabe que a forma grave da doença atinge principalmente idosos e adultos que tenham comorbidades.

Um fato ainda misterioso, no entanto, vem intrigando os cientistas: por que jovens aparentemente saudáveis acabam tendo o agravamento de seu quadro e, por vezes, chegam a perder a guerra para o coronavírus?
(continua após a publicidade)

Os fatores de risco para pacientes jovens com covid-19 grave ainda não estão claros. E, mais do que isso: como a obesidade se tornou presente em boa parte da população, ainda não se sabe o quanto sua ocorrência afeta o desenvolvimento da forma grave da enfermidade.

A pesquisa conclui que a obesidade é um importante preditor – uma espécie de “gatilho” – para a covid-19 grave em pacientes jovens. O principal mecanismo está relacionado ao acúmulo de gordura no fígado e nos rins.

Pacientes jovens graves com covid-19 podem sofrer evolução rápida após a internação.

Uma característica importante observada pelos pesquisadores foi o declínio no nível de albumina em pouco tempo.

Durante o curso da doença, observou-se que a diminuição da albumina foi acompanhada por um aumento no índice de dímero-D, que serve como um indicador de hipercoagulação. A ocorrência de coagulação intravascular disseminada (CID) é algo possível em pacientes críticos de covid-19.

Os dímeros-D são fragmentos de proteína resultantes do processo de coagulação. O exame de dosagem tem valor de normalidade quando abaixo de 500 ng/dl.

Mas que efeitos os resultados da pesquisa podem trazer ao tratamento da covid? Segundo os autores, é preciso prestar mais atenção aos pacientes jovens internados com obesidade, especialmente aqueles com resultado positivo para doença hepática gordurosa e para proteínas na urina.

Ou seja, essas pessoas precisam ter sempre monitorados os indicadores de albumina e de dímero-D após serem internadas, para fornecer um alerta precoce de mudanças rápidas em sua condição e, dessa forma, melhorar os resultados do paciente.

O estudo foi feito com 65 pacientes entre 18 a 40 anos, admitidos consecutivamente no Hospital Zhongnan da Universidade de Wuhan. Entre eles, 53 eram casos moderados e 12 eram casos graves ou críticos.

Meses atrás, a Sociedade Espanhola para o Estudo da Obesidade (Seedo) também apresentou um resumo das evidências científicas  até aquele momento, no qual se revelou que pessoas com sobrepeso ou obesidade infectadas pelo coronavírus tinham piores índices de sobrevivência e uma evolução mais séria da doença.


O portal Estádio das Coisas apoia as medidas
de isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus.
#FiqueEmCasa    #SeSairUseMáscara


COMENTÁRIOS




Estádio das Coisas
A arena para todos os debates