A chegada do lateral peruano Nilson Loyola e do atacante uruguaio Leandro Barcía dão à torcida esmeraldina um sinal de que as coisas estão mudando na Serrinha em relação ao modo de ver possíveis reforços para o Goiás.

Naturalmente, vêm à cabeça os muitos fracassos de atletas estrangeiros que vestiram o manto alviverde, a começar de Jorge Caraballo (Uruguai), ainda em 1986.

Outros forasteiros que passaram pelo clube? Fernando (Espanha, 1994); Matosas (Uruguai, 1996); Maezono (Japão, 1999); Gottardi (Bolívia, 2001); Roganovich (Argentina, 2002); Muñoz (Colômbia, 2006); Johnson (Angola, 2006-2007); Petkovic (Sérvia, 2007); Rojas (Chile, 2010); e Saavedra (Bolívia, 2017) – há quem inclua também o atacante Frontini, nascido na Argentina e com dupla nacionalidade, que teve uma passagem relâmpago pelo Verdão em 2008.

É fato que nenhum desses nomes alcançou avaliação positiva no Goiás. Mas outra verdade é ser uma tolice pensar que, por conta desse histórico ruim, seja perda de tempo investir em jogadores de fora.

Basta analisar o número de jogadores brasileiros que por aqui passaram sem deixar nenhuma lembrança, nem mesmo negativa. Por ano, pelo menos 50 jogadores atuam ou treinam pelo time profissional, entre atletas da casa, da base, contratações e testes. Nos últimos 30 anos, então, tivemos centenas de nomes.  Quem se lembra ainda do Medina (2017)? Ou do Juliano (2015)? E do Lenon (2010), então? Centenas de brasileiros e pouco mais de uma dezena de estrangeiros, no mesmo período. Como comparar razoavelmente o índice de aproveitamento dos gringos, com um número tão baixo? Impossível.

nilson loyola peru - Loyola e Barcia: demorou, mas o Goiás descobriu a América
Lateral reserva da seleção peruana, Nilson Loyola chega como mostra da nova forma de o Goiás pensar contratações | Divulgação

Tanto Loyola como Barcia são jogadores que vem com boas referências do que fizeram em seus clubes de origem – no caso do peruano, também pela seleção nacional. Não são meras apostas.

Embora seja óbvio que a vinda de qualquer jogador, por mais consolidado e famoso que seja no futebol, não se torne garantia de bom desempenho, a diretoria esmeraldina acerta ao trazer ambos, ainda mais se se observa a situação de saturação do mercado nacional e os altos salários pedidos por brasileiros longe de serem considerados incontestáveis.

É preciso, sim, cada vez mais expandir o olhar em busca de reforços. E, nesse sentido, a América Central também não pode ficar de fora. Vir para o Brasil é o sonho de qualquer jogador da Costa Rica, por exemplo. As estrelas da seleção de lá acabam, quase todas, indo jogar na principal liga estadunidense, a Major League Soccer (MLS).

Apenas uma ressalva: é preciso que o Goiás dê estrutura para que esses jogadores se sintam acolhidos e à vontade. Ainda que estejamos em um mundo globalizado, eles vêm de longe, falam outra língua, trazem familiares (pelo menos no caso de Loyola) e precisam de atenção especial na adaptação para que seu rendimento em campo seja potencializado.

Bienvenidos, Nilson e Leandro!

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Não curti essa história de numeração fixa para os atletas, provavelmente por estratégia de marketing. Gosto de ver em campo os jogadores numerados de 1 a 11, com uma ou outra exceção justificável, como no caso de Walter com a camisa 18 em 2013. Conservadorismo? Pode ser, mas é mais confortável.

 * * * * *  Esta é para o pessoal da TV e das rádios: a pronúncia correta do Barcia no sobrenome do atacante uruguaio é com a tônica na primeira sílaba. Portanto, Leandro Bárcia e não Barcía.

 * * * * *  Este sábado é dia de curtir o Verdinho na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Deve ser um jogo bem amarrado contra o Volta Redonda, que, assim como o Goiás, tem um bom desempenho defensivo.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.