Acabei de escrever isso para um contexto semelhante em um comentário de rede social, mas volto a usar aqui, para este artigo: não importam nem a largada nem o percurso. O que vale é a chegada.

A três jogos do fim do Campeonato Brasileiro, o Goiás se encontra a dois pontos da Copa Libertadores. É a distância dos 51 para os 53 pontos que tem o Internacional. Por isso mesmo, a vitória desta quarta-feira foi crucial (como foi dito aqui no texto anterior deste Blog) para que a busca pela vaga na Copa Libertadores siga como algo real e factível.

E, diga-se, nunca foi tão real como agora. Uma coisa é estar em 6º lugar do início para o meio do campeonato – como o Goiás fechou a fase pré-Copa América. Isso é enganoso. Veio o torneio continental e uma fase muito ruim para, ao fim do 1º turno, o time ser cotado para o rebaixamento. Isso também foi enganoso.

Outra coisa é estar em 9º lugar a três rodadas do fim da competição. E mais: tendo duas partidas em casa, sendo a última contra o arquirrival daquele clube do qual o Goiás ganhou esse “jogo de seis pontos”. Isso é auspicioso.

O cheirinho de Libertadores está no ar, como se diria há uma semana atrás, ironicamente, de um clube carioca. E pode ficar mais forte domingo, depois do confronto com o Fortaleza, no Serra Dourada.

Deve ser, sem dúvida, o jogo de maior apelo de público exclusivamente esmeraldino no Serra Dourada. Deve ser e tem de ser. Deixaram o Verdão chegar. E o Verdão deixou o Verdão sonhar. Por que não?

Ainda sobre quarta

Se você tem de escolher alguém como “o cara do jogo” (aqui em Goiás gostam de usar o fera) de quarta-feira, não há dúvida: o Goiás só venceu o Inter porque tem Tadeu no gol. Não fosse ele, teria levado o gol antes de marcá-lo; ou ainda, tendo marcado, teria sofrido o empate em tempo suficiente para sofrer a virada.

O time de Ney Franco começou o jogo sob bombardeio e o gol colorado parecia questão de tempo. Além da presença do goleiro esmeraldino, teve também bola na trave. E exatamente no momento em que mais pressionava, Rafael Vaz (o mesmo que falhou e foi salvo por Tadeu, que desviou levemente um chute, embora o árbitro tenha apontado tiro de meta) assustou o goleiro Marcelo Lomba com uma bomba; no rebote, Rafael Moura abriu o placar.

Esse ponto fora da curva do jogo deu ao Goiás a tranquilidade que precisava e ao Inter o desespero que não queria. A partida se equilibrou e por milímetros o Verdão não aumentou ainda no primeiro tempo – no gol de Michael, Leandro Barcia estava ligeiramente adiantado ao puxar o contra-ataque.

O segundo tempo veio melhor ainda para o Verdão. Os colorados estavam perdidos em campo, atacavam sem muito método e na pressão ganhavam escanteios. Até que depois de um destes, Michael recebeu a bola e partiu do meio de campo passando por quem havia pela frente até fazer um dos gols mais bonitos do Brasileirão 2019.

Uma obra de arte. E pensar que teve gente, inclusive gente esmeraldina, que dizia que o garoto ex-peladeiro não daria conta da Série A…

Ney Franco tem seu mérito. Correu o risco de sofrer o gol sofrendo muita pressão, mas pagou pra ver, bancando que o Inter deixaria espaços lá atrás. Ganhou a aposta.

Menções honrosas para Léo Sena, Leandro Barcia e Rafael Moura, pela vontade com que jogaram. Todos eles fazendo seus críticos engolirem o que diziam até semanas atrás – no caso do He-Man, até deste blogueiro.

LINCOLNEANA

WhatsApp Image 2019 11 27 at 22.35.51 300x169 - Libertadores: o Verdão está deixando o Verdão sonhar
O jornal O Popular publicou pôster do Goiás/Universo, campeão goiano feminino de futebol | Reprodução

Com atraso e com carinho: é assim que esta lincolneana única vai para o pessoal que lutou e venceu o Campeonato Goiano Feminino de Futebol, em um contexto no qual, apesar de Marta e cia., as mulheres ainda são vistas com muito preconceito e até desprezo. Parabéns, primeiro às atletas do Verdão, que venceram o Aliança, time mais tradicional do Estado na modalidade, e levaram a taça; parabéns a quem fez o trabalho para que elas chegassem lá, como a comissão técnica comandada por Robson Freitas e o pessoal da direção do clube e da Universo (cito aqui particularmente Willian Mendes, esmeraldino do quadro da universidade e árduo defensor do futebol feminino e dos esportes olímpicos); parabéns à FGF, por ter escalado o que tem de melhor em seus quadros para a arbitragem da finalíssima; e parabéns também à cobertura da imprensa, que, pela primeira vez, deu um valor maior – ainda longe do ideal – a uma decisão do futebol feminino no Estado. Mulheres do Goiás/Universo, vocês são merecidamente campeãs goianas. Parabéns!

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.