Uma pergunta a qualquer torcedora ou torcedor esmeraldino: dois meses atrás, qual seria sua expectativa em relação ao Goiás em um confronto contra o Flamengo, atual campeão brasileiro e da Libertadores?

Provavelmente algo como “perder de 3 a 0 vai ser até digno”. A situação era calamitosa.

Na metade de novembro, mais precisamente no fim da 21ª rodada, o Goiás era disparadamente o pior time do campeonato. Com 12 pontos, via de binóculo o penúltimo colocado – o Botafogo, com 20 pontos. Rebaixado de véspera, inclusive por este que escreve aqui.

Não poderia ser diferente: até então, era uma campanha de fazer inveja a Gama, América de Natal e até ao finado Ipatinga, que desceram para a Série B com requintes de crueldade. O medo do esmeraldino era ter a queda matemática ainda na metade do segundo turno.

Aquele fim de quinzena, depois de uma derrota em casa para o Athletico Paranaense, era também o ponto final da desastrosa era Enderson Moreira, cuja contratação (fechada por uma estranha insistência do agora ex-presidente Marcelo Almeida, apesar do desempenho não tão ruim do antecessor Thiago Larghi) não foi justificada em momento algum.

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O jogo seguinte foi contra o Palmeiras. Com a dupla Augusto César e Gláuber Ramos no comando, um monte de garoto em campo e um gol tão sensacional como improvável de Miguel Figueira nos acréscimos do jogo. Era um adversário destroçado por desfalques, mas já era o Palmeiras de Abel Ferreira.

Pulando dois meses e a virada do ano, nesta segunda-feira o Goiás fez inegavelmente o pior jogo sob a coordenação dos dois treinadores. Um time perdido em campo, parecendo assistir como fãs ao Flamengo jogar. Uma zaga tonta, um meio que não combatia e muito menos criava e um ataque que não decidiu quando teve suas (raras) chances.

A questão que fica: esse desempenho pífio é a cara do Goiás dos últimos meses? Porque, se for, a gente pode pedir para o Bota reservar nosso lugar no busu que vai rumo à Segundona.

Mas, olhando para o Goiás que, com suas limitações enfrentou com desempenho consistente Inter, Corinthians e Grêmio e que venceu Coritiba, Sport, Atlético e Palmeiras, a expectativa será outra.

Por isso tudo, o momento é de foco. O jogo contra o Ceará é logo ali, em dois dias. Não há tempo para chorar a derrota para o Flamengo – que, nas contas que a maioria fez para o time se salvar, eram três pontos perdidos mesmo.

O desafio de Augusto e Gláuber até a noite de quinta-feira é manter a moral da jovem tropa elevada. Precisa entrar na Serrinha não o Goiás que naufragou sob as águas naquele mesmo gramado, mas o que perdeu de pé no Beira-Rio.

Na atual conjuntura, a falta de técnica o torcedor até perdoa. O que não pode faltar é coração.

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LINCOLNEANAS

 * * * * *  O lado bom das derrotas claras, como esta última, é mostrar à comissão técnica onde estão os problemas. Um deles é muito claro: como time reativo, o Goiás precisa dar um jeito de explorar contra-ataques para não depender apenas da bola aérea.

 * * * * *  Não adianta, por conta de uma falha individual, torcedor crucificar este ou aquele jogador. Foi com esse elenco que conseguimos resultados que até então não havíamos conquistado e é com ele que vamos até o fim do Brasileirão.

 * * * * *  Mesmo com a derrota para os cariocas, o Goiás mantém a melhor campanha do segundo turno entre seus rivais na luta contra o rebaixamento: é o 12º colocado, com 14 pontos em 11 jogos – 4 vitórias, 2 empates e 5 derrotas. O aproveitamento é de 42,4%. Mais do que isso: já enfrentou 7 dos 9 melhores na tabela deste turno (confira aqui).

 * * * * *  Podem me cobrar ao final da Série A: meu palpite é de que vai ser possível escapar do rebaixamento com 40 pontos, talvez até com 39. O Goiás tem 26 e precisa dar outra arrancada como a que protagonizou entre Palmeiras e Coritiba (22ª a 28ª rodada). Terá um jogo a mais (oito) do que teve nesse intervalo para obter a mesma pontuação (14) e chegar ao número mágico.

 * * * * *  Muito bonita e merecidíssima a homenagem-surpresa feita pelos jogadores do Goiás antes do começo do jogo ao prefeito de Goiânia Maguito Vilela, que não resistiu à covid-19 na semana passada. Seu filho, o presidente do MDB goiano e ex-atacante do Verdão, Daniel Vilela, postou agradecimento no Twitter. Maguito era torcedor esmeraldino, ex-jogador da Jataiense e foi o político mais ligado ao esporte que Goiás teve. Chegou a ser vice-presidente da CBF. Uma grande perda para todos os clubes goianos.


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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.