Na segunda etapa do que resolvi chamar de “verdades que precisam ser ditas sobre o Goiás”, e depois de dissecar o que foi o jogo terrível diante do Santos na primeira parte (clique aqui para acessar), este Blog faz uma análise menos do momento imediato e mais da conjuntura que o clube se encontra. 

Que a situação não está fácil não é difícil constatar. O texto desta vez tenta entender como chegamos até aqui.

O contexto atual

Até a parada da Copa América, o desempenho do Goiás e a classificação no campeonato eram surpreendentes mesmo para os esmeraldinos mais apaixonados: 6º lugar, com 5 vitórias e 15 pontos, o que daria uma vaga na pré-Libertadores. E com um jogo a mais por fazer!

Havia uma sensação de boa surpresa. Havia. Hoje é preciso admitir o óbvio: desta vez, como ocorreu com outro time goiano, era o Verdão ali a vaca em cima da árvore.

Agora, é preciso lidar com a realidade: a 12ª posição ainda é irreal para o futebolzinho jogado – basta ver o que a Chapecoense, lá da zona de rebaixamento, fez com o Grêmio nesta segunda-feira (5/8), em Porto Alegre.

É por conta disso, agravado pelos dois 6 a 1, que mesmo no meio da tabela, o Verdão já é tratado pela mídia nacional como um dos prováveis rebaixados ao fim do ano. Não dá para negar que seja uma análise coerente com o que as equipes estão apresentando em campo. Quem hoje é pior do que o Goiás? Têm pelo menos quatro nessa condição?

O diagnóstico é claro: é preciso extrair muito mais do elenco disponível e contratar reforços de nível acima das peças que estão em campo hoje.

A intertemporada

Veja esta manchete do site GloboEsporte.com, do dia 31 de maio: “Tamanho da folga do Goiás durante Copa América depende de vitórias”. A equipe jogaria contra Chapecoense e Athletico em casa e, caso ganhasse os dois jogos, haveria folga de 12 dias, em vez de 8 previstos inicialmente.

Está aí, publicado, um recibo assinado comprovando a falta de planejamento na Serrinha. Que clube é este que, no futebol profissional e no esporte de alto rendimento, não sabe que quatro dias a mais ou a menos de condicionamento e ritmo de jogo vão fazer diferença lá na frente.

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Rafael Moura, que estava sem time desde o fim do ano passado, foi a única contratação anunciada na intertemporada | Rosiron Rodrigues / Goiás EC

E sobre contratações? Bem, o Goiás teria Walter, que no último dia viu sua pena por doping aumentada em um ano. Tinha um plano B? Não. Correu atrás de Rafael Moura, que estava desempregado. Outros reforços? Ahh, pra quê, se estamos em 6º lugar no Brasileiro, não é mesmo.

Todos os clubes da Série A tiveram à disposição a mesma janela. A comparação antes/depois do desempenho mostra bem como cada um a aproveitou.

O pós-Copa América

Uma das características do futebol brasileiro é a alta rotatividade de técnicos. Dizem sempre que é preciso dar tempo para que o treinador mostre seu trabalho. Concordo.

No tópico anterior vimos que foi concedido a todas as comissões técnicas um mês para fazer o que quisessem e como quisessem. Era a oportunidade de provar cada qual o nível de sua competência. Dessa forma, vemos claramente no domingo o que Jorge Sampaoli produziu para o Santos e o que Claudinei Oliveira cometeu com o Goiás.

O resultado concreto da péssima intertemporada se mede pelos dados dos quatro jogos depois da Copa América: dois empates e duas derrotas, com 2 gols marcados e 12 sofridos. Dois 0 x 0 e dois 6 x 1. Somente uma equipe têm desempenho pior nesse período: o lanterna Avaí. Outras duas fizeram o mesmo número de pontos: CSA e Cruzeiro.

Em outras palavras, pior que o Verdão depois das férias forçadas, só o Avaí. Sim, o Goiás atual tem cara, jeito e comportamento de Z4.

O elenco

Talvez o maior desastre para a sequência do ano esmeraldino tenha sido a contusão de David Duarte. Sem o melhor zagueiro, ficou Rafael Vaz de titular – aquele que com Claudinei só perderia a vaga se pedisse, como disse o ex-treinador em entrevista. Nada contra o Vaz, mas pra titular, jogando como joga, hoje não dá.

Para chegar com sucesso à meta de permanência na Série A, o Goiás precisaria contar com pelo menos um reserva que, ao menos, segurasse as pontas do titular de cada posição. Só que, no elenco, temos vários titulares que fazem esse papel dos reservas: só seguram as pontas. É o caso de Yago na zaga, Daniel Guedes e Jefferson nas laterais, Geovane na proteção, Barcia e Kayke no ataque.

Todos eles serviriam como opção, mas não estão aptos à titularidade na Série A (vou ser um tanto condescendente com Kayke porque está pelo menos fazendo seus gols). O momento de outros, como Rafael Vaz e Marlone, não lhes daria nem a condição de ocupantes do banco de reservas.

Sobram o goleiro Tadeu, o meia Léo Sena e o atacante Michael (sendo condescendente com este último). São esses os jogadores realmente titulares que temos para um time de Série A que mereça estar na Série A de 2020.

Deu para entender o drama, dr. Marcelo Almeida? Já fez esse balanço, dr. Mauro Machado? Viu o tanto de trabalho que você tem pela frente, sr. Túlio Lustosa? Vai encarar bater a mão na mesa e resolver esse drama sr. Edminho Pinheiro? Enfim, diretoria, deu pra entender o que precisa ser feito?

Uma dica fácil: não será no Goiânia nem no Manaus que a solução para os problemas será encontrada.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  O técnico interino, enquanto Ney Franco não vem, será Robson Gomes. Pelo menos espera-se que entrem em campo os mais bem condicionados fisicamente.

 * * * * *  Pode parecer absurdo, principalmente diante do último resultado, mas, se por milagre organizar direitinho o setor defensivo, dá para voltar com um ponto de São Paulo. O Corinthians tem ojeriza de propor o jogo e não terá alternativa contra o Goiás. E é bom lembrar: na volta do Brasileirão, lá em Itaquera, demoraram mais de 75 minutos para fazer um gol no CSA.

 * * * * *  Sugiro o vídeo postado no canal do comentarista Ubira Leal, da ESPN, sobre o desempenho do Goiás no Brasileiro. Está no YouTube e basta clicar aqui para acessá-lo.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.