A segunda goleada por 6 a 1 sofrida em menos de um mês é fato tristemente inédito na história do Goiás. E se quem dirige o clube não parar para pensar e achar que é “só” coincidência, é imenso o risco de o time entrar em situação de estol.

Estol é o momento em que, na aviação, ocorre a perda de sustentação da aeronave. Deixa-se de estar voando para, na verdade, estar caindo.

Como é muita coisa para falar, muitos pontos para serem observados, então vamos dividir em partes e cada parte em tópicos. Esta é a primeira parte.

O jogo

Ao contrário da tragédia anterior, no Maracanã – quando de fato disputou a partida, durante os primeiros 40 minutos –, desta vez a postura do time em campo foi de total apatia praticamente o tempo todo.

Na Vila Belmiro, a tática foi, do início ao fim, o do “chutão pra frente” assim que estivesse com a bola. Ora, entregar de graça a posse de bola para uma equipe motivada e muito bem treinada como a do Santos é pedir, implorar para tomar gol. O Goiás jogou para sofrer um massacre, e assim aconteceu.

Sem tirar o devido mérito do Peixe, todos os gols santistas tiveram falhas coletivas ou individuais do time verde. Veja como é a situação de solidão de Carlos Sánchez no momento em que Soteldo lhe cruza a bola para seu chute de primeira:

santos 1.gol  - Hora de falar algumas verdades sobre o Goiás (parte 1)
O instante do passe de Soteldo para o primeiro gol do Santos: Carlos Sánchez (em destaque) tem um raio de pelo menos 5 metros sem nenhum marcador | Reprodução TV Premiere

Ainda no primeiro tempo, o Santos se deu ao luxo de perder dois gols feitos – um com Felipe Jonathan e outro com Eduardo Sasha. Sim, o Verdão poderia ter descido pro intervalo com 5 a 0 na sacola.

No segundo, a pasmaceira continuou, o Goiás parecendo estar paralisado à espera do fim do jogo. Resultado: mais três gols, o penúltimo em uma entregada à la Cerezo 82 de Geovane para Soteldo; e o derradeiro depois que Yago Rocha foi com o pé mole para uma disputa de bola com Marinho – aquele de passagem apagada pelo Goiás de 2012, conhecido pelo “que merda, hein” que soltou ao ser informado pelo repórter que tinha recebido o terceiro amarelo ao comemorar um gol e recentemente por ter batizado outro (aliás, golaço) como “Minimíssil Aleatório”.

Conclusão dolorosa: sendo bonzinho, temos meio time que jogou ontem – Kevin, Rafael Vaz, Geovane, Yago Rocha e Marlone – sem condições de jogar Série A. E, por incrível que pareça, o jogador mais criticado pela torcida, Rafael Vaz, salvou dois gols em cima da linha e fez um ótimo lançamento para Leandro Barcia dar a assistência para o gol de honra de Kayke, no último minuto.

Os números da partida

O Santos finalizou 19 vezes, 10 dentro do gol. Até aí, tudo bem, parece até que foi mais. Mas você acredita se eu disser que o Goiás chutou 20 vezes ao gol? O problema é como fez isso (e prova disso foi o arremate de Rafael Vaz que virou meme). Quantos chutes dentro do gol? Dois. Quantas defesas difíceis de Everson? Nenhuma.

E faltas? O Santos cometeu 15. O Goiás, 8. Como parâmetro, o Barcelona, jogando torneio amistoso, também ontem, fez 12 faltas no Arsenal. Ou seja, temos um time de gentlemen, jogadores que, mesmo sendo humilhados pelo placar, jogaram como bons moços. (aviso: parágrafo contém mais ironia que de costume)

O campeonato

Situando o Goiás no contexto da Série A: 12 jogos, com 5 vitórias, 2 empates e 5 derrotas, totalizando 17 pontos; tem 13 gols marcados e 20 sofrido.

Deve terminar a rodada em 13º lugar, se o Grêmio vencer a Chapecoense jogando em casa, resultado bastante provável. A favor, o fato de ter um jogo a mais por realizar; contra, o fato de esse jogo ser fora de casa e contra o Corinthians.

A demissão

Claudinei Oliveira foi justamente dispensado. Teve um mês exclusivamente para planejar o segundo semestre e treinar o time. Pelo que se vê em campo, não conseguiu. Mesmo com a derrota, poderia ter salvo o emprego se tivesse lutado por uma vitória possível e até provável sobre o fragílimo Avaí. Na ocasião, o empate medíocre, buscado com cera dos jogadores, foi visto por ele próprio como um resultado muito bom.

Mas, ao mesmo Claudinei demitido não pode servir como bode expiatório . Tirou o treinador e tá resolvido? Muito pelo contrário: a incompetência e a acomodação dançam forró coladinho na Serrinha faz muitos anos. Quem acompanhou os últimos anos do clube sabe bem disso e não se deixa enganar.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Dizem que é quase certeza de que vem aí Ney Franco. Poucos treinadores conseguem trabalhar o lado psicológico dos atletas como ele, e isso pode ser positivo. Em campo, seu trabalho pode não estar entre os tops, mas é melhor do que seu antecessor.

 * * * * *  De qualquer forma, é preciso agir para ontem para qualificar o elenco. Ou a diretoria descobre que o Goiás está na Série A e que isso dói ou assume de vez seu lado Country Clube e convida os sócios-proprietários para um coquetel com a trilha sonora do Titanic.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.