Qual é o ânimo que deve conduzir o torcedor do Goiás nas 21 rodadas que teremos até o fim do Brasileiro?

Em outras palavras, em que ele deve basear sua motivação para que seu clube cumpra com sucesso sua temporada na Série A?

O comentarista Gerliézer Paulo, que tem sua origem na chamada mídia verde, como sócio do Portal Esmeraldino, traçou um paralelo importante para essas questões acima, ao falar do adversário vitorioso de domingo, o Fortaleza.

Gerliézer, no microfone da Rádio Bandeirantes 820 AM, disse que a torcida do tricolor cearense estará feliz, e muito feliz, se seu time terminar o campeonato em 16º lugar.

É a primeira colocação fora da zona de rebaixamento. E é só isso que quer o fanático pelo Fortaleza, em seu retorno à elite depois de 13 anos longe dela. Ficar na Série A em 2020 será o grande troféu tricolor.

E o esmeraldino? Bem, o esmeraldino é um torcedor sui generis. Raramente está satisfeito com o momento da equipe (especialmente nos últimos anos) e, quando acontece algo extraordinário – no sentido literal mesmo, de atípico -, se agarra naquele fato como se fosse algo constante e obrigatório.

Foi o que ocorreu depois da deliciosa vitória de virada sobre o Internacional, obtida com um golaço de Michael e uma cobrança de falta perfeita de Rafael Vaz no último minuto dos acréscimos.

Aquilo, daquela forma, trouxe à torcida as reminiscências dos velhos tempos em que os adversários pediam arrego ao Verdão no Serra: tempos de Luvanor & cia., Túlio & cia., Araújo & cia. e, vá lá, Walter & cia. também.

Quantas vitórias épicas: 2 a 1 sobre o Corinthians de Sócrates (1983), 5 a 1 sobre o Flamengo (1991), 6 a 0 sobre o Grêmio (1997), 6 a 0 sobre o Fluminense (2003)… “A-ha, u-hu, Serra Dourada é nosso!”… Que tempos!

Mas veja bem: depois do craque, vem o “cia.”. Só que não há “cia.” para Michael. O Goiás de hoje é apenas um arremedo de conjunto de equipe, até porque a maior parte dos atletas do elenco não consegue ter estatura técnica de Série A. Como (ainda bem) muitas outras do Campeonato Brasileiro.

Se o torcedor esmeraldino quiser encontrar motivo para ir ao estádio, precisa esquecer a bela história e concentrar sua paixão no presente do clube: um Goiás que precisa olhar para o fim da tabela para não cair lá, em vez de propagar auto-ilusões que pertencem apenas a um passado memorável, mas que, agora, são só isto: memórias.

Lutar para não voltar à Série B. Esse é o tamanho do Goiás hoje. Se vier algo mais, é surpresa e lucro. Evitar o rebaixamento, comemorar cada ponto rumo aos 45 necessários. Nada mais deve mover a ida às arquibancadas.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  É preciso aceitar que o Goiás é um time limitado. O que não se pode aceitar é que os mesmos erros continuem a ocorrer em campo. Os gols sofridos por bolas aéreas testam a paciência do esmeraldino.

 * * * * *  Da mesma forma, a torcida quer respostas à inação do meio de campo, que não tem sido eficiente nem para desarmar nem para criar.

ariete - Hey, o que você espera do Goiás no fim do ano? * * * * *  Esta coluna de hoje é dedicada à esmeraldina Ariete Mesquita, que nossa torcida perdeu, nesta dimensão dos mortais, na última sexta-feira, dia 30. Ela se foi de forma muito prematura e dela guardo, como grande lembrança, sua participação atuante e ao mesmo tempo discreta por ocasião do movimento Vem Pra Rampa, pelo qual torcedores tentaram alertar, em meados de 2015, sobre os rumos que o Verde estava tomando naquele ano (em que acabou rebaixado). Ariete era noiva do jornalista e também esmeraldino Jonhson Araújo. A todos da família, nossos sentimentos. E, minha amiga, de onde estiver, olhe por nós e pelo nosso Goiás!

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.