O movimento Mulheres Unidas Contra Bolsonaro!!! é o maior fenômeno das redes sociais no Brasil nos últimos tempos. O grupo foi criado no Facebook, como reação ao crescimento verificado do discurso antifeminista promovido em torno da candidatura à Presidência do deputado atual lider das pesquisas, conforme descreve em sua página inicial: “Destinado à união das mulheres de todo o Brasil contra o avanço e fortalecimento do machismo, misoginia e outros tipos de preconceitos representados pelo candidato Jair Bolsonaro e seus eleitores”.

Criado no dia 30 de agosto, em menos de duas semanas o grupo ultrapassou a casa do 1 milhão de participantes.  A partir do sucesso da iniciativa, houve dois movimentos de contrarreação: o primeiro foi criar outros grupos, como o Mulheres Com Bolsonaro, na segunda-feira, que também é um fenômeno e estava com cerca de 250 mil pessoas na noite desta quinta-feira, 13.

A outra reação foi bem menos democrática: para tentar anular o feito do primeiro grupo, surgiram informações falsas na rede, por meio de banners e compartilhamentos nas redes sociais e no aplicativo WhatsApp. A fake news mais comum noticia que o Mulheres Unidas Contra Bolsonaro seria, na verdade, uma ação coordenada por “comunistas” que compraram a página Gina Indelicada. Veja a publicação abaixo:

Mulheres banner fake 229x300 - Grupo de mulheres contra Bolsonaro foi criado usando outro já com milhões de participantes?
Publicação apócrifa combina mentira e preconceito sem nenhum pudor para espalhar boato | Divulgação

Um texto curto demais para uma série de mentiras e inconsistência. A primeira informação equivocada e que facilmente seria verificável é que a página Gina Delicada tem hoje mais de 7,5 milhões de usuários. A segunda falsidade é algo ainda mais “amador”: uma página (Gina Delicada, no caso) não teria como virar um grupo! Algo menos grave, mas também sinal de informação incompleta, é o erro do nome oficial na imagem divulgada (“Mulheres contra Bolsonaro).

Por fim, é de indignar o P.S. do texto: o deboche em relação à luta das mulheres, ao afirmar que “Bolsonaro é líder absoluto entre as mulheres que gostam de depilar as axilas”. Uma frase que só reforça a importância que tem o grupo que se criou contra o o machismo, a misoginia e o enquadramento feminino. Coisas que o Brasil deveria ter superado há muito tempo, mas que, absurdamente, voltam agora com mais força – e apoiado por um contingente não desprezível de mulheres, apesar de ser ainda assim uma minoria.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.