Elder Dias

Neste texto, eu poderia perder tempo — e vou perder — para falar da derrota e do quão é lamentável sair de uma competição tão rentável como legal é a Copa do Brasil.

Mas a frustração com a consequência do 1 a 2 no tempo normal e mais um revés na disputa de cobrança de pênaltis na Serrinha não pode encobrir o fato de que o Goiás deu vários passos à frente com o que vou chamar de “intenção de futebol” mostrada na noite desta quarta-feira.

Sejamos honestos: os dois gols vascaínos foram mais frutos do acaso do que propriamente de falhas de um goleiro.

Ainda que se possa atribuir alguma culpa a Tadeu no primeiro gol (lembrando que a bola era um cruzamento, que foi desviada, subiu no rumo dos refletores e bateu na trave e nele antes de entrar), no segundo, o camisa 1 ficou totalmente “vendido”, após novo desvio. Ambos entraram no lugar possível. “Bolas teleguiadas”, como li em algum grupo esmeraldino de Whatsapp.

Pelo contrário, quando foi acionado em situações “normais”, Tadeu respondeu muito bem — foram pelo menos três defesas difíceis, entre várias durante a partida.

E é bom lembrar, ainda, que o elenco está vindo de um surto que pôs no estaleiro quase duas dezenas de atletas. E que o novo treinador, Thiago Larghi, teve dois dias para trabalhar alguma coisa com a equipe.

(continua após a publicidade)

Convenhamos, é muito difícil dizer “resultado à parte”. Mas é obrigação pensar além, justamente porque não dá mais para Bessa, He-Man e Marcinho voltarem atrás e converterem suas cobranças.

E, nesse sentido, o jogo me passou uma esperança de melhora na aplicação tática. Na parte técnica e física, há realmente muito o que fazer.

Rafael Moura não pode ser titular enquanto for a jamanta em campo que está sendo (já que ele gosta de papo reto, estou fazendo o mesmo com ele). A responsabilidade do mau resultado passa muito por ele, tanto no tempo normal (o segundo gol do Vasco começou após ele não dominar a bola ao girar lentamente) como pela cobrança de pênalti sofrível.

Mais pontos fracos: Juan Pintado parece ter potencial, mas deixa sempre uma avenida pelo lado direito. O meio de campo precisa ser mais efetivo na proteção da zaga e também na criação. E o ataque, como um todo, tem de mostrar serviço.

De qualquer forma, a disposição de ter a bola, muito maior na derrota de ontem do que na vitória sobre o Atlético, é algo promissor.

Apesar dos pesares, foi a primeira vez neste ano que o Goiás deu algum sinal de vida. A eliminação foi amarga, mas apareceu uma luz no fim do túnel.

(continua após a publicidade)

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Foi o tempo necessário a um peão em cima do touro no rodeio. “Henrique é mais tímido, ofensivamente falando. Nunca fez um gol no profissional do Vasco em 164 jogos, com o de hoje.” O narrador da TV Globo Luiz Roberto terminou de passar essa informação aos 31:58. Aos 32:06, Henrique fez o gol que demorou quase 15 mil minutos para fazer no clube. E foi um gol “sem querer”! Realmente, ontem foi uma noite meio sobrenatural na Serrinha.

 * * * * *  Pênalti NÃO É loteria e goleiro NÃO É franco atirador nas cobranças. Já passou da hora de alguém que ainda pensa isso pelo menos parar pra refletir. O Goiás perdeu porque a qualidade de seus batedores foi bem mais baixa do que a dos adversários. Simples.

 * * * * *  Não dá para criticar contratação de jogador só pela idade. Zé Roberto jogou em alto nível para os padrões brasileiros até quase 40 anos; Nenê tem 39 e fez hat trick nesta semana; os trintões Felipe Luís e Rafinha eram titulares no super-Flamengo do ano passado; são pontos fora da curva, mas, com um pouco de dedicação e tendo os recursos de hoje em dia, qualquer veterano pode se superar e produzir bem por mais tempo. Basta não “boleirar”.


O portal Estádio das Coisas apoia as medidas
de isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus.
#FiqueEmCasa  — #SeSairUseMáscara


COMENTÁRIOS




Estádio das Coisas
A arena para todos os debates