Nesta volta pós-pandemia do blog Verde 33, gostaria de estar aqui falando sobre o desempenho altamente questionável do Goiás nos amistosos preparatórios ao Campeonato Brasileiro.

Mas, por incrível que pareça, a maior discussão pós-derrota no amistoso contra o Cuiabá no sábado, 1/8, girou em torno da retirada da faixa dos Esmeraldinos Antifas, uma ala de torcedores (nada a ver com torcida organizada) que denuncia ataques aos direitos humanos.

O movimento antifascista ganhou destaque após os recentes ataques à democracia no mundo e também no Brasil: lá fora, principalmente com o assassinato do negro George Floyd por um policial branco; aqui, com os pedidos de intervenção militar e ataques ao Legislativo e ao Judiciário.

A torcida esmeraldina tem um grupo que aderiu à causa há alguns anos e fez sua faixa. Levou-a ao Estádio da Serrinha no sábado e a afixou com as demais, de outros segmentos.

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Na hora do jogo-treino, porém, ela (e só ela) não mais estava lá. Alguém se sentiu incomodado e conseguiu sua retirada, o que levantou mais polêmica do que haveria caso nada tivesse sido feito.

A Serrinha se justificou dizendo que “não quer se envolver em política”. Duas coisas: 1) quem não quer se envolver em política não manda camisa de presente pra presidente; e 2) parece ser bem claro que toda faixa é posição de um grupo de torcedores, longe de “envolver” a instituição.

Sugiro à diretoria do Goiás que faça o contrário: incentive sua torcida a se expressar e tomar conta do branco do concreto com todas as expressões entre os esmeraldinos.

Que haja espaço para todas as faixas de torcedores de todos os matizes que quiserem se identificar: evangélicos, ruralistas, veganos, anarquistas, bolsonaristas, obesos, cervejeiros, petistas, terraplanistas, universitários, LGBTs, hipsters, celibatários etc. Desde que sejam esmeraldinos.

Que o clube, ao contrário do que tem virado este País, seja local de acolhida e não de discriminação.

Que cada esmeraldina ou esmeraldino não se incomode com o que seu irmão ou irmã de torcida pensa ou propaga, porque ali, no estádio, a razão de estar é uma só: o Verdão.

Este Blog vai estar sempre a favor da liberdade de expressão, desde que dela não se sirvam para ataques a pessoas ou comunidades.

Em tempo: sobre a faixa, não há com o que se incomodar – a não ser que você seja simpatizante do fascismo. Agora, se isso incomoda alguém, temos um problema.

Problema porque o fascismo e os fascistas devem ser sempre reprimidos, bem como toda tendência autoritária de direita ou de esquerda, justamente porque sempre se constituirão ameaça à liberdade e à democracia e, por consequência, aos direitos humanos.

Quanto às vozes de comando do Goiás: esqueçam o que está na arquibancada e preocupem-se com o que ocorre dentro de campo. Aí é que está o problema que vocês têm de dar um jeito de resolver.

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LINCOLNEANAS

 * * * * *  Ainda sobre o extracampo da Serrinha: a solidariedade deste Blog ao colega Wagner Oliveira, do portal Esporte Goiano. Após fazer críticas à transmissão dos jogos pela GO TV, canal do Goiás no YouTube, sábado ele foi hostilizado na área da imprensa por um profissional (narrador) da equipe. Não importa nem se as críticas são procedentes ou não (pelo menos algumas, sim); o clube precisa reconhecer que é muito grave haver qualquer intimidação. Com a palavra, a diretoria.

 * * * * *  Claro que perder para o Cuiabá no último teste antes da estreia no Brasileirão não tem nada de bom. Mas amistoso é pouco mais do que um treino. E, como dizia o craque e pensador Didi, “treino é treino, jogo é jogo”. A pilha com que os jogadores entrarão contra o São Paulo tende a ser outra.

 * * * * *  Ocorre que Fernando Diniz está muito a fim de dar uma resposta à vergonhosa eliminação para o Mirassol, no Paulistão. Se o elenco estiver com ele, vão querer fazer o Goiás pagar o pato.

 * * * * *  Pra recapitular 2020: o bom momento que o Goiás viveu neste ano complicadíssimo se concentrou nos jogos da Copa do Brasil, contra Santo André e Vasco. Fora isso, no inacabado Estadual e na fugaz Sul-Americana, o desempenho oscilou entre o mediano e o vexatório.

tiãozinho - Goiás, esqueça as faixas da torcida e se preocupe com o time em campo
Ex-meia Tiãozinho, vítima da covid: tudo na nação esmeraldina | Reprodução

 * * * * *  Na semana passada, a nota triste para a história do Goiás foi a morte de Tiãozinho, o prata da casa que surgiu na mesma geração de Uidemar e Benevan e conquistou três títulos estaduais (1986, 1987 e 1990) pelo Verdão. Sebastião Inês Pereira foi mais uma vítima da covid-19. Tinha apenas 55 anos. À família, nossas condolências.


O portal Estádio das Coisas apoia as medidas
de isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus.
#FiqueEmCasa    #SeSairUseMáscara


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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.