Longe de ter feito uma atuação brilhante, o Goiás cumpriu sua tarefa de casa. E mantém o controle em relação à distância do G-4

Faz tempo que não vinha uma maré tão boa para os lados do Goiás Esporte Clube. A sensação de que as coisas estão realmente indo bem não é apenas uma empolgação. Creio que seja um sentimento que reparto com a maioria dos esmeraldinos.

Nesta sexta-feira 13, o Goiás enfrentou sua maior asa, gíria futebolística para aquele time contra o qual a coisa vai ser barra pesadíssima, não importa como nem quando.

Goiás michael gol criciuma 546x300 - Goiás 2 x 1 Criciúma: sinais de que as coisas vão se encaixando
Michael toca debaixo das pernas de Luiz para fazer o gol da virada | Reprodução TV Premiere

A gente sabe, desde 1989 (quem for mais novo aí, pesquise o porquê), o que o Criciúma significa na história esmeraldina. Não é à toa que não foi para o Flamengo, para o Palmeiras ou para o Real Madrid a maior sacolada de gols que levamos para casa na história moderna: foi aquele 7 a 2 de triste lembrança em 2004, lá no Heriberto Hulse.

Não era à toa, também, que mesmo com esse espinho atravessado estando bem mal na tabela, enfiado na zona de rebaixamento, que o esmeraldino temia esse jogo. Mesmo assim, a torcida lotou o Estádio Olímpico – que, diga-se a verdade, tem sido um lugar onde o Goiás tem gostado de jogar.

A previsão de pedreira se confirmou com a abertura do placar pelos visitantes, em uma inexplicável chegada do Criciúma com a bola sendo levada de seu primeiro homem de linha defensiva até o fundo das redes em seis toques. Detalhe: não era contra-ataque, o Goiás estava totalmente posicionado!

Parecia um time de cones. Inaceitável tomar um gol assim, caro Ney Franco.

Sorte que o empate veio logo depois, quando Michael evitou a saída da bola na lateral tentou tocar para Renato Cajá, a bola desviou e sobrou para Giovanni chutar muito bem no canto do gol de Luiz.

E aí, no segundo tempo, o Goiás ganhou o jogo com a mão do treinador. Felipe Gedoz, numa atuação apagada, até parece não ter gostado de sair, mas a entrada de Maranhão mudou a noite: o Verdão se reposicionou, jogando o Criciúma de volta para seu campo.

Logo após sua entrada, curiosamente em um lance do qual não participou diretamente, o Goiás chegou ao gol da virada. Começou com uma invertida de lado a lado espetacular de Giovanni para Ernandes, continuou com um lançamento/cruzamento em diagonal deste para a entrada da pequena área e foi concluída com perfeição por Michael, que dominou uma bola difícil e arrematou entre as pernas do goleiro. Jogadaça!

Vencer o Criciúma é sempre um bom sinal. Longe de ter feito uma atuação brilhante, o Goiás cumpriu sua tarefa de casa. E mantém o controle em relação à distância do G-4. Como disse uma vez um certo treinador que ganharia a Série B pelo Goiás, não é necessário estar entre os quatro primeiros agora: o objetivo é ficar lá quando acabar a 38ª rodada.

Lincolneanas

* * * * * Uma cutucada na assessoria de imprensa do Goiás EC: neste momento é meio-dia de sábado e, mais de 13 horas após o término da partida, ainda não há nada no site do clube em relação à vitória sobre o Criciúma – que estava já com o resultado em sua página. Pega muito mal algo assim para uma estrutura do tamanho que a Serrinha ostenta.

* * * * * Marcos poderia ter rebatido a bola que levou ao primeiro gol para o lado? Talvez, mas me parece que resolveu arriscar encaixar a bola. De qualquer forma, a falha foi coletiva: não se pode deixar uma jogada em velocidade como aquela ocorrer tão facilmente com o time já posicionado.

* * * * * Saindo do estádio, liguei o rádio do carro e me vi ouvindo uma pregação de pastor. Estranhei, conferi a emissora e estava na mesma que transmitia o jogo. Aí logo depois vi que era Michael dando entrevista. Claro, vale sempre falar de Deus, mas é preciso ter a disciplina de focar na pergunta do repórter.

* * * * * Reafirmando: a camisa, bem como a questão financeira, vai pesar. Um dos que estão acima na tabela pode ter certeza de estar guardando a vaga para o Goiás.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.