Até 2014, nunca tinha me interessado por futebol americano. Quando por acaso zapeava os canais e via aquele campo todo riscado e cheio de brutamontes de capacete, não ficava dez segundos. Parecia muito bobo, um confronto de búfalos sem muito sentido aparente.

Então resolvi dar uma chance e ter alguma paciência para compreender aquilo. Escolhi um time para torcer com que já me simpatizava nessas passagens rápidas pelas transmissões: o Green Bay Packers, por ter um baita G como marca, assim como o meu Goiás Esporte Clube.

Por coincidência, o Packers tinha (e tem) também um cracaço de bola oval, chamado Aaron Rodgers, o quarterback (QB) do time, o cara responsável por conduzir as jogadas de ataque e lançar a bola. Aos poucos, fui conhecendo o esporte e vendo o quanto esse tipo de jogador é fundamental – e o quanto Rodgers era especial entre os QBs.

Foram vários e vários jogos desde então sofrendo com os Packers e vendo a equipe ser salva pela presença brilhante do seu camisa 12. Foi assim na legendária hail Mary contra o Detroit Lions, na temporada 2015/2016, último segundo do jogo:

Da mesma forma, na semifinal da NFC, na temporada seguinte, Aaron Rodgers arremessou uma bola no limite para Jared Cook e possibilitou a virada dos Packers sobre o Dallas Cowboys na jogada final da partida.

Na última temporada, o craque do time da pequena Green Bay (cidade do Estado norte-americano de Wisconsin, com 100 mil habitantes, a menor a ter uma franquia da NFL) teve uma clavícula fraturada na 6ª rodada e praticamente não jogou.

Neste domingo, o Packers fazia o primeiro Sunday Night Football – jogo de maior audiência na TV, no horário nobre do domingo à noite – do ano e Aaron Rodgers saiu de campo machucado com pouco mais de 15 minutos de jogo. Sem ele, o Packers foi massacrado no primeiro tempo: 20 a 0 para o arquirrival Chicago Bears.

Mesmo com o joelho lesionado e claramente tendo a mobilidade reduzida na perda esquerda, o QB voltou para evitar um vexame pior no próprio estádio. Mas fez muito mais do que isso: jogando como um saci endiabrado, ele lançou três touchdowns no último quarto de jogo e os Packers viraram o placar para 24 a 23:

Para quem não acompanha o esporte, é difícil entender a magnitude do feito. Mas seria como Ayrton Senna, no GP do Brasil de 1991, chegando ao fim da corrida sem a metade das marchas; ou o Grêmio buscando a vitória o Náutico em 2005, com dois jogadores a menos, para voltar à Série A, na incrível Batalha dos Aflitos.

Feitos que só o esporte pode proporcionar. No caso, por uma lenda viva que uma geração tem o prazer de assistir e se deliciar com suas jogadas. É como ver Messi jogando bola, como ver Federer e Djokovic no tênis, como ver LeBron James nas quadras. Aaron Rodgers, é um prazer vê-lo jogar. Ainda mais jogando por meu time. Mas seria da mesma forma se eu torcesse por qualquer outro.

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS




Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.