Faltavam oito jogos para o fim do Brasileiro, depois de o Goiás perder para o Flamengo.

A seguir, viriam Ceará, Santos, Fluminense e Atlético. A lógica era ter bons resultados contra o nordestino e o carioca e maus resultados contra o paulista e o mineiro.

Pois o Goiás fez exatamente o contrário. Um desastre contra o primeiro, uma montanha-russa de emoções com o segundo, uma decepção total com o terceiro e a surpresa geral no último jogo.

E, com esses desempenhos sem nenhum padrão, seguimos segurando o fio de esperança de permanência na Série A.

Resumindo, como bem disse o esmeraldino Márcio Hawk no Twitter, “o Goiás faz todo mundo desistir e ao mesmo tempo faz todo mundo acreditar”.

Vendo o time em campo nessas últimas partidas, a imagem recorrente que me vem à cabeça é a do Kinder Ovo, aquele chocolate que toda criança quer porque vem sempre com um brinquedo dentro – só que nunca se sabe qual presentinho será.

Mas tem um problema aí: chegou aquela hora em que não dá mais para variar de desempenho.

O Goiás precisa de, no mínimo, vencer os três companheiros de zona da confusão (além do Bahia neste sábado, também o já abatido Botafogo e o Vasco, que deve escapar) e empatar com o Bragantino para seguir sonhando.

Como os resultados desta semana não ajudaram, são dez pontos para se salvar, não menos que isso.

Antes de falar um pouco dessa decisão às 19 horas, em Salvador, porém, é preciso comentar que nunca vi o Goiás se retrancar tão bem quanto no jogo contra o Atlético Mineiro na Serrinha.

Eu tinha assistido a um bom pedaço do Liverpool 0 x 1 Brighton mais cedo, pela Premier League. E, veja só, foi mais ou menos a mesma coisa, com a diferença que o gol da zebra inglesa só ocorreu no segundo tempo. Mas foi o mesmo ataque contra defesa à la handebol, um verdadeiro massacre em que o massacrado resiste até o fim ao sofrimento.

Para o torcedor, teste cardíaco.

E, de fato, apesar de ficar com a bola quase o tempo todo, o Galo não conseguiu passar pelas compactadas linhas esmeraldinas mais do que duas vezes. E, em ambas, não conseguiu efetivar o gol.

Desta vez, foi um show de tática da dupla Augusto César & Gláuber Ramos. Arriscada – principalmente depois de barrar Tadeu e Rafael Moura –, mas efetiva.

Em tempo: não vou negar que admirei o ferrolho verde e torci para dar certo, mas um tanto contrariado – esse nunca foi o estilo de jogo do Goiás Esporte Clube, se fechar de modo a não encarar nem um contra-ataque.

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Sobre o adversário Bahia, no jogo de seis pontos de logo mais, duas coisas básicas a se dizer: a equipe tricolor tem uma defesa bem precária e um ataque muito perigoso.

O ideal seria montar um ferrolho novamente? Talvez, se a vitória não fosse mais necessária para o Goiás do que para os baianos. Um empate mata mais a gente do que o rival.

De qualquer forma, será o Bahia a propor jogo, naturalmente. E será o melhor a ocorrer: como a aposta do Goiás é no erro do oponente e não na própria criação, resta a opção “jogar por uma bola” como meta para o confronto. Mas então precisa surgir algum Índio para acertar de novo a pelota dentro do gol.

E aí talvez venha a ser fundamental torcer por um bom desempenho de Vinícius Lopes, o único com alguma velocidade para decidir algo numa eventual tomada de bola pelo Verdão.

Não está morto quem peleia, é um dito gaúcho que gosto de repetir e que vale a pena relembrar para este Goiás de altos e baixos que morre aqui e renasce ali.

Só que de agora em diante não dá mais para entregar um Kinder Ovo todo jogo. Ou até dá, desde que a surpresinha dentro seja a mesma – sempre positiva.

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LINCOLNEANAS

 * * * * *  As vitórias de Fortaleza e Sport subiram a faixa de corte do Z4 de 35 para 37 pontos (agora seria preciso superar o Vasco). Tudo isso leva a crer que a disputa vá parar na casa dos 42 ou 43 pontos.

 * * * * *  Em outras palavras: se empatar na Fonte Nova, vai ter de vencer todo mundo daí em diante e torcer muito; mas, se perder, a chance de escapar será mais matemática do que nunca. O virtual rebaixamento estará consolidado.

 * * * * *  Realmente é uma surpresa para qualquer esmeraldino ver Tadeu no banco de reservas, porque, para 95% da torcida, o time é ele e mais dez. Prefiro não elucubrar teorias conspiratórias e aceitar a versão de que Marcelo Rangel – que também é bom goleiro – esteja num melhor momento.


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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.