Eu havia escrito neste Blog que o Flamengo x Goiás deste domingo tinha tudo para ser divertido, um jogo com muita emoção e, quem sabe, também boas surpresas.

Para os esmeraldinos, a diversão foi garantida até pouco antes dos 45 minutos do primeiro tempo.

O 1 a 1 de um jogo que começou difícil e depois foi ficando mais à feição do Verde se transformou rapidamente em uma goleada adversa, com um apagão total que gerou três gols em cinco minutos.

Ao fim, houve surpresa, sim, mas nada agradável. A goleada por 6 a 1 foi a maior do campeonato e jogou por terra todo o ânimo que esteve guardado durante toda a paralisação da Série A para a disputa da Copa América. Sobreveio a incerteza sobre o real lugar desse time na tabela.

A primeira coisa a falar sobre o resultado é que um placar assim não é construído apenas por um dos envolvidos. Se faltou qualidade ao Goiás (óbvio), sobraram virtudes ao Flamengo. Vamos falar um pouco desses dois aspectos e, como conclusão, sobre uma previsão que pode ser um tanto desanimadora.

Primeiro, não há muito que falar positivamente do time da Serrinha, claro. O que dizer quando o goleiro sofre seis gols e ainda assim é a maior pontuação do time no Cartola FC? Tadeu foi infeliz no segundo gol, mas fez sete defesas difíceis e foi o melhor alviverde da partida – e olha que teve torcedor descarregando sua raiva no pobre.

Em toda a partida, a equipe de Claudinei Oliveira simplesmente não conseguiu ficar com a bola, trabalhar uma jogada sequer. O Goiás só ofereceu perigo quando: 1) roubou a bola e saiu rapidamente, como no erro de Rodrigo Caio aproveitado muito bem por Kayke para empatar o jogo; ou 2) com as boas reposições de longa distância de Tadeu. O setor de criação esmeraldino fez tanto quanto eu vendo o jogo pela TV – só deu para perceber que Giovanni Augusto estava em campo quando levantaram a placa para ele ser substituído.

O resultado foi 77% de posse de bola para o Flamengo. Um massacre de níveis barcelônicos.

E é aqui que temos de olhar também para o outro lado. Os cariocas não deixaram o Goiás nem pensar em jogar. Lembravam uma turba de famintos vendo na bola um prato de comida.

E assim parece que será o comportamento do Flamengo nas mãos de Jorge Jesus. O português já tinha empurrado a equipe pra cima do Athletico na Arena da Baixada, pela Copa do Brasil, e não dá mostras de que agirá de forma diferente como treinador.

Só que, para atuar dessa forma, é preciso ter qualidade no time. E o Flamengo tem, muita. Basta dizer que metade do time (o goleiro Diego Alves, o lateral Rafinha, o meia Diego e os atacantes Gabriel e Bruno Henrique) que estava em campo tem passagens por importantes clubes europeus. Sem contar Vitinho, no banco, e Gerson, recém-contratado da Roma e que via o jogo da arquibancada. É a grana fazendo a diferença.

A consequência da junção do peso de talentos com a ordem expressa do comando técnico foi uma intensidade raramente vista no futebol brasileiro. Veja o gráfico do portal SofaScore em relação à distribuição do – vamos dizer assim – domínio de jogo entre as duas equipes, durante cada minuto da partida:

FlaXGoi Sofa - Flamengo 6 x 1 Goiás: como entender o massacre do Maracanã?

Agora vamos comparar o quadro acima a outro gráfico do SofaScore: uma atuação padrão do Manchester City, time treinado por Guardiola e que se caracteriza por propor o jogo o tempo todo. Por exemplo, dê uma olhada no resumo da goleada por 6 a 0 sobre o Watford, na final da Copa da Inglaterra:

CityXWat Sofa - Flamengo 6 x 1 Goiás: como entender o massacre do Maracanã?

A quantidade de colunas verdes (as do time mandante) importa menos do que o tamanho delas – quanto maior, mais pressão foi exercida naquele minuto. A semelhança das duas imagens é algo que não pode deixar de chamar a atenção. É a imposição tácita de um time sobre outro, sem cerimônia alguma.

Jorge Jesus sabe que o Flamengo pode mandar e desmandar nos jogos contra quase todos os rivais brasileiros, porque tem material humano para isso. Assim como o Palmeiras, com seu elenco, também poderia fazer o mesmo. Só que o técnico Felipão não é nenhum Jesus.

Enfim, se serve como consolo: é previsível que o Flamengo vá repetir esse massacre em cima de outras equipes. O Goiás não será o único, novas goleadas assim virão por aí. Bom para o espetáculo.

Isso não livra a cara nem diminui a ressaca do esmeraldino. Mas, convenhamos, só pode levar de 6 a 1 deste Flamengo quem está na Série A.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Nada melhor do que uma semana de treinamento e reflexão até o próximo jogo, depois de uma surra como a de domingo. E menos mau que o próximo jogo seja contra o lanterna da competição, e fora de casa. Só não pode viagrar, Goiás…

 * * * * *  O futebol brasileiro está num momento de transição rumo ao que ocorre na Europa. Financeiramente, alguns clubes estão abrindo distância em relação aos demais. E está ficando mais claro o papel que agremiações periféricas vão desempenhar a partir de agora.

 * * * * *  Por isso mesmo, cada um traz o veterano que dá conta: o Flamengo vem de Rafinha, ex-Bayern; o Goiás pega Rafael Moura, que estava sem clube… Um sinal desses tempos.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.